terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Em defesa da Igreja? Não: em defesa da história!

E se as crenças generalizadas sobre inquisição, Pio XII e Idade Média forem falsas?

Aleteia.
Nem sempre a história da Igreja católica é contada por historiadores, sociólogos e pesquisadores católicos. Nem precisa: o que é preciso é que ela seja contada por historiadores, sociólogos e pesquisadores honestos.
E este é o caso do sociólogo norte-americano Rodney Stark, doutor pela Universidade de Berkeley, que acaba de publicar pela Templeton Press (maio de 2016) mais um livro que desmascara séculos de mentira anticatólica misturada com ideologia: “Bearing False Witness. Debunking Centuries of Anti-Catholic History” (“Falso Testemunho: refutando séculos de história anticatólica”, em tradução livre – o livro ainda não tem versão em português).
Na esteira dos livros recentes de Philip Jenkins (sobre o novo anticatolicismo como “o último dos preconceitos aceitáveis” nos Estados Unidos) e do clássico de Thomas Woods (sobre como a Igreja construiu a civilização ocidental), o texto de Rodney Stark refuta abertamente um sem-fim de acusações contra a Igreja católica.
Para o autor, essas acusações “compõem a versão dominante da história que hoje é ‘ensinada’ em instituições educativas e que é objeto de publicações e produtos culturais de todo tipo”.
Com uma trajetória de importantes postos acadêmicos em sociologia da religião e 38 livros publicados, em particular sobre temas religiosos, o livro de Rodney Stark se destaca por mais um fator de credibilidade: o autor não é católico.
Não sou católico romano e não escrevi este livro em defesa da Igreja”, afirma ele na introdução do texto. “Eu o escrevi em defesa da história”.
A pesquisa de Stark parte do fato de que “todos ‘sabemos muito bem’, pois está estabelecido no que atestam há décadas os livros escolares, que a Inquisição foi um dos episódios sangrentos mais terríveis da história ocidental; que o papa Pio XII era antissemita e que, com toda a razão, foi chamado de ‘papa de Hitler’; que a Idade Média foi uma era escura, que freou o curso do pensamento até ele ser redimido pelo Iluminismo, e que as Cruzadas foram um exemplo temporão da rapinagem do Ocidente, da sua sede de riquezas e de poder”.
Mas será mesmo que isso tudo que “sabemos muito bem” é verdade?
O autor coloca então a pergunta fundamental: e se todas estas crenças são falsas?Os estudos de Stark, feitos rigorosa e cientificamente, documentam como algumas das mais arraigadas ideias da história, que pintam a Igreja católica no extremo do obscurantismo, são apenas uma coleção de mentiras.
Não só isto: são mentiras misturadas com ideologia, interesses de grupos e ódio intelectual ao cristianismo em geral e à Igreja católica em particular; um ódio que, no começo, veio do mundo acadêmico, depois se tornou “patrimônio” da esquerda radical e, por obra dos meios de comunicação de massas, chegou a se transformar, em todo o mundo ocidental, num “preconceito aceitável” – aliás, bem aceito, inclusive pelos próprios católicos desinformados.
No entanto, trata-se de um castelo de cartas que um sopro de informação objetiva, embasada e imparcial derruba diante de qualquer um que queira enxergar.

Diácono Valney

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um conselho para começar bem o Matrimônio

Um casal pode enfrentar muitos desafios, mas, mais frequentemente do que eles imaginam, será de dentro de seus próprios corações que surgirão os seus maiores problemas.
Por Jonathan B. Coe | Recentemente, um amigo meu, católico praticante, pediu-me para ser testemunha em seu casamento, a acontecer no próximo mês de dezembro. Senti-me honrado, mas imediatamente o ex-pastor dentro de mim — converti-me do protestantismo em 2004 — começou a pensar: "Se eu tivesse meia hora para falar com um casal de noivos cristãos, que conselho eu daria a eles antes de selarem os votos matrimoniais?" Como resultado dessa meditação, escrevi as seguintes linhas, as quais agora publico em primeira mão.
Como alguém que já passou por um divórcio e depois recebeu, alguns anos atrás, uma declaração de nulidade da Igreja Católica, abordo o tema desse sacramento com tremor e consciência de quão frágil pode ser essa união. Figurativamente falando, eu ando, como Jacó, "mancando por causa da coxa" (Gn 32, 32), e o pouco de sabedoria que tenho sobre esse grande mistério, não foi sem sacrifício que o recebi. Capitães do mar que passaram por naufrágios têm histórias pra contar.
Há uma história ligada a G. K. Chesterton repetida tantas vezes que muitas pessoas acreditam que seja verdadeira, ainda que não haja disso nenhuma prova documental. Certa vez, um jornal diário de grande circulação na Inglaterra, London Times, fez uma pesquisa com alguns escritores famosos perguntando-lhes: "O que há de errado com o mundo hoje?". A resposta de Chesterton foi simples:
Prezado Senhor,

Eu.

Atenciosamente,
G. K. Chesterton
Um casal pode enfrentar muitos desafios — dificuldades com os sogros, crises econômicas, questões de saúde —, mas, mais frequentemente do que imaginam, será de dentro de seus próprios corações que virão os seus maiores problemas. A Igreja Católica ensina que "pelo Batismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado", mas "permanecem no batizado certas consequências temporais do pecado, assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscência" (Catecismo da Igreja Católica, § 1263-1264).
Concupiscência é a herança que recebemos de nossos primeiros pais e que se caracteriza por "transferência de culpa": quando Deus confrontou Adão, este acusou Eva e a mulher, por sua vez, acusou a serpente. O casal que se coloca diante do altar sabendo que os seus maiores problemas emergem de um coração que "é o que há de mais enganador, e não há remédio, quem o pode entender?" (Jr 17, 9), já começa com uma grande vantagem. Essa é uma das razões pelas quais católicos praticantes — e cristãos devotos em geral — possuem taxas significativamente baixas de divórcios. A fé praticada todos os dias lembra o casal da concupiscência permanente e insidiosa contra a qual eles devem lutar, prevenindo-os do erro de ficar trocando acusações mútuas e intermináveis.
O escritor e psicólogo protestante Larry Crabb explica que o principal motor da concupiscência "é o egocentrismo justificado, o egoísmo arraigado que se considera perfeitamente razoável e até aceitável ter, face ao modo como fomos tratados". Faz parte de nosso DNA adâmico. Para exemplificar, o autor conta a história de um amigo que lhe confessou ter cometido adultério, dizendo que "sua mulher não o apoiava nas tensões com que ele tinha de lidar diariamente, a ponto de seu desejo de ser estimado por uma mulher ficar fora de controle". Depois de vários anos aconselhando casais, Larry descobriu que pessoas que traem seus cônjuges geralmente "vêem o seu pecado como se fosse uma 'necessidade' para o bem-estar de sua alma, como se ele fosse algo mais compreensível do que errado".
Sempre que me deparo com algum jovem casal de namorados, luzes vermelhas de alerta se acendem diante de mim. Observando o comportamento que um mantém em relação ao outro, é como se eles dissessem: "Esta pessoa fará todos os meus sonhos virarem realidade"; "Esta pessoa fará de mim a pessoa mais feliz do mundo". Isso faz-me pensar o quanto é importante que as pessoas realmente procurem aconselhar-se com algum bom sacerdote ou alguma pessoa virtuosa de sua confiança, antes de se aventurarem numa empreitada tão séria como é o Matrimônio.
Muitos talvez tenham crescido com significantes necessidades emocionais não correspondidas em suas famílias de origem, e estejam esperando ver esse vazio preenchido por seus futuros cônjuges. Acontece porém que, como escreve C. S. Lewis, nossa espécie foi criada na perfeição do Éden e parao Céu. Portanto, nesta existência decaída, sempre haverá o sentimento de que "algo está faltando", não obstante as inúmeras bênçãos com que sejamos agraciados. Este mundo não é o bastante.
Por causa desses fatores, nosso futuro cônjuge pode acabar se tornando um ídolo. Podemos cair na ilusão de que o outro seja capaz de saciar todas as nossas necessidades não correspondidas. Real e infelizmente, as pessoas fabricam para si deuses muito ruins. Se eu tivesse meia hora com um casal de noivos, eu os encorajaria a trabalharem duro em duas coisas: (1.º) Seja tão feliz o quanto puder independentemente do seu futuro cônjuge. As quatro maiores fontes de felicidade para o homem são a sua fé, a sua família, os seus amigos e o seu trabalho. Maximize, portanto, a sua felicidade pessoal nessas áreas e, então, (2.º) volte-se para o seu companheiro com uma agenda para servi-lo. Seja proativo em identificar quais são as necessidades dele ou dela e viva a Paixão de Cristo no seu relacionamento — isto é, encarne a humildade e o amor sacrificial pelo outro, ainda que você não esteja "a fim".
A Missa é um "tutorial" de como fazer isso: nela, todos os domingos, o sacrifício de Cristo na cruz é representado e renovado por nós. Se as duas partes em um relacionamento imitarem essa entrega, não só estarão começando muito bem o sacramento do Matrimônio, como deixarão uma profunda mensagem contracultural à nossa civilização, tão marcada pelo narcisismo. Como já dito, trata-se apenas de um bom começo, mas, como os pães e os peixes daquele menino do Evangelho, Cristo pode muito bem multiplicá-los, saciar a multidão e ainda fazer restarem doze cestos cheios de sobras — e essas, por sua vez, nós as podemos distribuir a todos os viandantes fatigados e famintos que encontrarmos ao longo do caminho.
Diácono Valney

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cardeal alerta ante possível “conquista islâmica da Europa”

    Cardeal Christoph Schönborn. Foto: ©Mazur via catholicnews.org.uk
Portal Católico.

VIENA – O Arcebispo de Viena (Áustria), Cardeal Christoph Schönborn, alertou sobre uma possível “conquista islâmica da Europa”, no último dia 11 de setembro, enquanto celebrava uma Missa junto a um grupo de fiéis na Catedral local. O Purpurado disse aos presentes que esse dia se celebrava uma vitória decisiva de uma coalizão cristã sobre o Império turco na Batalha de Viena de 1683. “Há exatamente 333 anos Viena se salvou. Haverá agora uma terceira tentativa de uma conquista islâmica da Europa? Muitos muçulmanos pensam nisso e o esperam”, disse o Cardeal. Estes muçulmanos, indicou o Cardeal, “dizem: ‘a Europa está no seu fim’. Mas acredito que o que devemos nos perguntar sobre a Europa é o que Moisés faz nesta leitura de hoje e o que Deus misericordioso faz pelo filho mais novo: Senhor, dá-nos outra oportunidade! Não esqueças que somos o teu povo como Moisés. Eles são teu povo, tu os salvaste, os santificaste, eles são teu povo”.
O Cardeal Schonborn disse também que a Europa “esbanjou e desperdiçou” a sua herança cristã, como o filho pródigo da parábola que Jesus relata nas Escrituras. “O que será da Europa? ”, questionou o Cardeal antes de concluir a sua homilia com uma oração. “Senhor, não nos abandone! Não abandone esta Europa, que gerou tantos Santos. Não nos abandone, porque nos convertemos em mornos com relação à fé. Tem misericórdia do teu povo, tem misericórdia da Europa, que está quase perdendo a sua herança cristã! ”. 
Ao concluir a sua oração, o Cardeal exclamou: “Tem misericórdia de nós e levanta-nos novamente, pela glória do teu nome e como uma bênção para o mundo! Amém”. 
No dia 11 de setembro de 1683, o rei polonês e supremo comandante da armada da coalizão cristã, John Sobieski III, guiou 18 mil homens a cavalo contra os inimigos turcos e conseguiu vencê-los. A vitória da coalizão polonesa, austríaca, bávara e saxã, além de outras tropas, colocando um fim na expansão do Império turco na Europa. Antes da batalha, o rei polonês, católico devoto, confiou seu reino à Virgem Maria, na devoção de Nossa Senhora de Czestochowa, muito querida de São João Paulo II.

Diácono Valney

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Natividade da Virgem Maria: um vídeo sobre o local onde Mamãe nasceu!

Aleteia.

Em 8 de setembro, a Igreja celebra a Natividade de Maria, o nascimento de Nossa Senhora.
A ela dedicamos o compartilhamento deste breve vídeo produzido pela Custódia da Terra Santa, mostrando o lugar onde, segundo a tradição, teria nascido a Santíssima Virgem!
Feliz aniversário, Mamãe!
Veja o vídeo:

video

Diácono Valney

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Desastres naturais: um castigo divino?

Furacões, terremotos, inundações… Eles acontecem por causa dos pecados humanos? Eles são “obra de Deus”?


Foto: © FILIPPO MONTEFORTE / AFP
Portal Católico.
Milhões de pessoas inocentes sofrem os efeitos de acidentes ou desastres naturais. Não sabemos a razão pela qual Deus permite os desastres naturais, mas Ele não é indiferente ao sofrimento. Sabemos que, no começo, Deus criou a natureza e a abençoou. Quando Adão e Eva pecaram, o mal entrou no mundo e esta desordem também afetou a natureza (criando a possibilidade de que haja desastres naturais). As catástrofes não são “obra de Deus” no sentido de queridas por Ele como tais. Inclusive nestas situações de desastre, o sofrimento de Cristo está unido ao das pessoas, porque Jesus tenta levar todos até Ele.
 Muitas pessoas sofrem quando as catástrofes as atingem, incluindo aquelas que nunca cometeram pecados graves ou tiveram más condutas.
 João Paulo II, em sua carta apostólica “Salvifici doloris”, usa a história bíblica de Jó para ensinar que o sofrimento nem sempre é um castigo. Explica que Jó foi atingido por “inúmeros sofrimentos” e que seus amigos diziam que ele provavelmente tinha feito algo mau para merecer isso. Segundo eles, o sofrimento sempre é o castigo por um crime realizado; é enviado por um Deus absolutamente justo e por motivos de justiça.
 “Este, a seu ver – afirma João Paulo II – , pode ter sentido somente como pena pelo pecado; e portanto, exclusivamente no plano da justiça de Deus, que paga o bem com o bem e o mal com o mal”. Acontece a mesma coisa quando as pessoas dizem que as catástrofes naturais são “obra de Deus”.
 João Paulo II diz que a história de Jó demonstra que esta afirmação é falsa. Escreve: “Se é verdade que o sofrimento tem um sentido como castigo, quando ligado à culpa, já não é verdade que todo o sofrimento seja consequência da culpa e tenha caráter de castigo. A figura do justo Jó é disso prova convincente no Antigo Testamento. A revelação, palavra do próprio Deus, põe o problema do sofrimento do homem inocente com toda a clareza: o sofrimento sem culpa. Jó não foi castigado; não havia razão para lhe ser infligida uma pena, não obstante ter sido submetido a uma duríssima prova”.
 Um exemplo do Novo Testamento: Cristo fala desta situação quando 18 pessoas morreram quando uma torre caiu. Ele disse: “E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não” (Lc 13, 4-5). Aqui, Jesus nos recorda que os que sofrem não são necessariamente mais pecadores que os que não sofrem.
 Quando Deus criou a natureza, tudo era bom. Mas quando o pecado entrou no mundo,  também a natureza se viu afetada. A corrupção da criação perfeita por meio do pecado deu espaço aos desastres naturais.
 Antes da queda de Adão e Eva (e, portanto, de toda a humanidade), existia uma harmonia entre o homem, os animais e a natureza, e o homem tinha a tarefa de cuidar da criação. O primeiro capítulo da Bíblica nos conta: “Deus viu tudo quanto havia feito e achou que era muito bom” (Gn 1, 31).
 Quando Adão e Eva cometeram o pecado original, uma das primeiras consequências foi o rompimento desta harmonia. O Senhor disse ao homem: “Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa. Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e ervas daninhas, e tu comerás das ervas do campo” (Gn 3,17-18). Deus não ordenou a corrupção da criação nesse momento – como indicaram muitos especialistas –, mas se lamentou pela inevitável consequência de corrupção e de morte que o mal traz consigo. O pecado original não só afeta a alma dos homens e das mulheres, mas também traz desordem ao mundo natural.
 O Catecismo ensina que, então, a harmonia com a criação foi rompida; a criação visível se tornou estranha e hostil ao homem. Por causa do homem, a criação é submetida à “servidão da corrupção” (Catecismo da Igreja Católica, 400).
 Devido à Queda, a natureza já não tem uma ordem perfeita. Apesar de haver muito bem na natureza, também ocorrem desastres, como inundações, furacões e tornados. Tais fenômenos não são diretamente uma “obra de Deus”, mas sim o resultado da imperfeição do mundo natural. Tal imperfeição não vem de Deus, mas do mal. É natural e lógico que as pessoas se horrorizem diante das consequências destes desastres naturais, mas não são obras de Deus, senão que têm sua origem no mal.
 Ainda que Deus não tenha mandado o sofrimento que procede das tragédias e dos desastres naturais, em sua providência, Ele nos convida, por meio do nosso sofrimento, a que nos aproximemos dele – do Deus que não poupou seu próprio Filho, permitindo que carregasse todo o peso do mal em sua crucificação.
 A natureza do mundo mudou com a Queda, mas voltou a mudar com a morte de Jesus Cristo na cruz. Quando Cristo morreu por todos nós, deu-nos a possibilidade de uma vida eterna. Como cristãos, reconhecemos que o sofrimento físico é temporal, mas a separação de Deus tem consequências eternas. O Beato João Paulo II escreveu que o “o homem ‘morre’ quando perde a vida eterna”. O contrário da salvação não é o sofrimento temporal, mas o sofrimento definitivo, a perda da vida eterna, ser rejeitados por Deus; é a condenação.
 Ainda que Deus não mande as catástrofes, o Pe. John Flader explica, em um artigo da versão australiana do “Catholic Weekly”, que o sofrimento produzido neste tipo de acontecimentos pode ser uma oportunidade de receber a graça e, dessa maneira, evitar o sofrimento definitivo da separação de Deus. O Pe. Flader escreve: “Deus permite os desastres naturais porque, em sua infinita sabedoria, sabe que pode ajudar  em seu propósito de atrair almas à vida eterna. Apesar do mal, Deus nos dá algo bom. Além disso, sabemos que ‘tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus’ (Rom 8, 28)”.
 “Sem dúvida – afirma o Pe. Flader –, o bem surge de forma ostensível no imenso sofrimento que se produz em um desastre natural. As pessoas percebem quão frágil é a sua vida e quão incerta é sua existência na Terra; sentem a necessidade de se arrepender dos seus pecados e de se dirigir a Deus com uma oração mais confiante.”
 Todos nós já vimos exemplos de pessoas que mudaram para melhor graças à forma como responderam em circunstâncias terríveis: bombeiros que arriscam suas vidas pela dos outros, famílias que deixam de lado suas diferenças e se unem em épocas de crise, pessoas que aprendem a valorizar a oração acima das coisas materiais que perderam no desastre natural… Em meio ao sofrimento do mundo, existe uma grande oportunidade de recorrer a Cristo e esperar uma felicidade eterna com Ele.
 Nossa própria resposta aos desastres naturais deveria ser a de nos aproximarmos mais do nosso Senhor em nossos sofrimentos e reconhecer que somente nele podemos esperar uma felicidade definitiva.
 Muitos lugares, com diferentes níveis de prosperidade, beleza e prestígio, foram arrasados completamente pelas catástrofes naturais ao longo dos anos. Tais acontecimentos destroem a vida de ricos e pobres e, muitas vezes, fazem que as pessoas reflitam sobre suas prioridades de fé, família, amizade.
 João Paulo II ensinou que Cristo elevou o sofrimento humano ao grau da redenção. Quando sofremos, nós nos unimos ao sofrimento de Cristo, quem, sendo inocente, sofreu a morte pela nossa salvação. Deus está presente nos desastres naturais, não como alguém que manda um castigo, mas como Aquele a quem nos dirigimos quando estas coisas acontecem, e o único que pode nos oferecer uma felicidade eterna. Ele sabe que nós sofremos, assim como Jesus sofreu por nós para poder chegar a um mundo no qual, um dia, todas as coisas se farão novas e as catástrofes não mais existirão.
 Diácono Valney

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Novo livro relata 350 conversões clamorosas dos últimos 100 anos

Por que a ovelha recuperada pode trazer mais alegria que as 99 que não se perderam?


Aleteia - De São Paulo a Santo Agostinho, de Santa Maria Madalena a Santa Teresa Benedita da Cruz, de filósofos ateus ao “rei do aborto”, de artistas famosos ao rabino de Roma… A história da humanidade está cheia de exemplos de conversões a Cristo, vividas por pessoas muito diferentes, que trilharam estradas muito diversas, cujas trajetórias se tornaram exemplares para as outras “noventa e nove ovelhas”.
O modelo do convertido é apresentado pelo próprio Jesus Cristo na parábola do filho pródigo. O filho pródigo leva uma vida dissoluta, mas a sua alma se lembra da morada do pai e ele volta, arrependido e envergonhado. Os outros cristãos, muitas vezes, se parecem com o irmão mais velho, que fica com ciúmes pelos elogios que seu pai faz ao filho recuperado (Lc 15,11-32). O irmão também precisava de conversão.
E em Mt 18,10-14, Jesus nos pergunta:
Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se perde, acaso ele não deixa as noventa e nove restantes na montanha e vai em busca da que se extraviou? E, quando a encontra, eu vos afirmo que se alegrará mais por ela do que pelas noventa e nove que não se extraviaram”.
Demos uma breve olhada na longa lista de grandes conversos dos últimos cem anos: o influente pensador Chesterton, o pastor Newman, os escritores Vittorio Messori, Maria Nágera e Svetlana Stalin, filha de Joseph Stalin… Atores como Sylvester Stallone, Gary Cooper, Fabio McNamara, Eduardo Verástegui… Filósofos como C. S. Lewis, Manuel García Morente, André Frossard… O prêmio Nobel Alexis Carrel, o “ex-rei do aborto” Bernard Nathanson, o Grande Rabino de Roma Eugenio Zolli… E os que se convertem no final da vida, como os escritores Jorge Luis Borges e Oscar Wilde, o criminoso executado (e arrependido) Jacques Fesch…
O escritor Jacinto Ferrer publicou recentemente o livro “Conversos modernos a micrófono abierto” (ainda sem tradução ao português), no qual passa a palavra a 350 pessoas das mais inverossímeis procedências e que se converteram a Cristo.
São muitas as conversões que a Igreja testemunha a cada ano. Muitos batizados de adultos são verdadeiras conversões em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, por exemplo, de 40.000 a 80.000 adultos são batizados na Igreja católica por ano. Também naquele país, é frequente que filhos de ateus se tornem cristãos.
É compreensível que só cheguem até os nossos ouvidos os casos dos “famosos”. Evidentemente, cada conversão tem valor incalculável, mas as das pessoas publicamente conhecidas têm maior impacto social. Em muitos casos, trata-se de pessoas que sofrem grande pressão do ambiente em que vivem, o que pode ser um fator de “freio” para a sua conversão: para muitos deles, converter-se implica enfrentar todo um círculo social e profissional e sofrer enormes mudanças em sua vida e em seus relacionamentos.
Por que essas pessoas convertidas parecem mostrar maior fortaleza em sua defesa e exposição da fé?
Certamente, pessoas como Maria Madalena, aquela que “muito amou porque muito lhe foi perdoado” (Lc 7,47), sabem valorizar melhor o amor de Deus que descobriram, já que lhes custou muito encontrá-lo. As “outras noventa e nove” o tiveram desde sempre – e é alto o risco de que a facilidade e o costume as levem à rotina, a não valorizar suficientemente o imenso presente com que já contam. Este foi o caso do irmão mais velho do filho pródigo.
“As outras noventa e nove” precisam de “pequenas” conversões diárias, que podem não ser tão “pequenas” assim. A reforma pessoal permanente é outra forma grandiosa e impactante de heroísmo.

Diácono Valney

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Bento XVI tinha razão sobre os muçulmanos.



Aleteia - Na noite de 12 de setembro de 2006, minha esposa e eu estávamos jantando em Cracóvia com amigos poloneses quando um agitado vaticanista italiano (me perdoem pela redundância nos adjetivos) me ligou querendo saber o que eu achava "do louco discurso do papa sobre os muçulmanos". Aquele foi, para mim, o primeiro indício de que o rebanho da imprensa mundial estava prestes a bombardear o que Bento XVI tinha dito em Regensburg; uma suposta “gafe” que os meios de comunicação continuariam a trazer à tona o tempo todo, até o final daquele pontificado.
Oito anos depois, a palestra de Regensburg (Ratisbona) desperta reações bem diferentes. Aliás, quem de fato a leu em 2006 entendeu que, longe de cometer uma “gafe”, Bento XVI explorou com precisão acadêmica duas questões fundamentais, cujas respostas influenciariam profundamente a guerra civil que corroi as entranhas do islã: uma guerra cujo resultado determinará se o islã do século XXI é seguro para os seus próprios adeptos e seguro para o mundo.

A primeira questão era a liberdadereligiosa: será que os muçulmanos conseguiriam encontrar, dentro dos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a tolerância religiosa (incluindo a tolerância para com quem se converte do islã a outras religiões)? O processo desejável, sugeriu o pontífice, deveria levar, ao longo do tempo (séculos, no caso), a uma teoria islâmica mais completa sobre a liberdade religiosa.
A segunda questão era a estruturação das sociedades islâmicas: será que os muçulmanos poderiam encontrar, também com base nos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a distinção entre autoridade religiosa e autoridade política dentro de um Estado justo? O desenvolvimento igualmente desejável desse processo ​​poderia tornar as sociedades muçulmanas mais humanas em si mesmas e menos perigosas para os seus vizinhos, especialmente se vinculado a uma emergente experiência islâmica de tolerância religiosa.
O papa Bento XVI chegou a sugerir que o diálogo inter-religioso entre católicos e muçulmanos se concentrasse nessas duas questões interligadas. A Igreja católica, admitiu livremente o papa, tinha as suas próprias batalhas no tocante à liberdade religiosa em uma comunidade política constitucionalmente regulada, na qual a Igreja desempenhava um papel fundamental dentro da sociedade civil, mas não diretamente no governo. Mas o catolicismo tinha conseguido resultados interessantes: não capitulando diante da filosofia política laicista, e sim usando o que tinha aprendido da modernidade política para voltar à sua própria tradição, redescobrindo elementos do seu pensamento sobre a fé, a religião e a sociedade que tinham se perdido ao longo do tempo e desenvolvendo a sua doutrina sobre a sociedade justa do futuro.
Será que tal processo de recuperação e desenvolvimento é possível no islã? Esta foi a grande pergunta feita por Bento XVI na palestra de Regensburg.
É uma tragédia de proporções históricas que esta questão tenha sido, primeiro, mal interpretada, e, depois, ignorada. Os resultados desse mal-entendido e desse descaso (e de muitos outros mal-entendidos e muitas outras ignorâncias) estão agora sendo expostos de modo macabro no Oriente Médio: dizimação de antiquíssimas comunidades cristãs; barbaridades que chocaram o aparentemente inchocável Ocidente, como a crucificação e a decapitação de cristãos; países cambaleantes; esperanças despedaçadas de que o Oriente Médio do século XXI possa se recuperar das suas várias doenças culturais e políticas e encontrar um caminho para um futuro mais humano.
Bento XVI, tenho certeza, não sente prazer algum ao ver a história vingar o seu discurso de Regensburg. Mas os seus críticos de 2006 poderiam examinar em sua consciência o opróbrio que despejaram sobre ele há oito anos. Admitir que eles entenderam tudo errado em 2006 seria um bom primeiro passo para abordarem a própria ignorância sobre a guerra civil intra-islâmica que ameaça gravemente a paz do mundo no século XXI.

Quanto ao diálogo proposto por Bento XVI sobre o futuro do islã, ele agora parece bastante improvável. Mas, caso aconteça, os líderes cristãos devem listar sem rodeios as patologias do islamismo e do jihadismo; devem deixar de lado as desculpas não históricas pelo colonialismo do século XX (que imita desajeitadamente o que há de pior nos chavões acadêmicos ocidentais sobre o mundo islâmico árabe); e devem declarar publicamente que, diante de fanáticos sanguinários, como são os responsáveis ​​pelo reinado de terror que está assolando o Iraque e a Síria neste momento, o uso da força das armas, prudente e bem direcionado por aqueles que têm a vontade e os meios para defender os inocentes, é moralmente justificado.

Diácono Valney

sábado, 2 de julho de 2016

Médica abandona prática de abortos após ver ultrassonografia de seu bebê.



 
ACi Digital
WASHINGTON DC - Yvonne Frank Moore é uma obstetra e ginecologista que abandonou a prática do aborto depois de ver a ultrassonografia do seu próprio bebê.
Sua história foi apresentada na página pró-vida dirigida a adolescentes Teenbreaks. Em seu breve e intenso testemunho, a doutora Moore descreve como começou a realizar abortos quando era residente na Universidade de Tennessee.
“Foram motivos econômicos que tiveram um papel decisivo para me converter em abortista. Tornou-se em uma tradição muito lucrativa o fato de ter mais de um emprego nas três clínicas de aborto locais”, disse.
Moore explicou que os abortistas podem ganhar muito dinheiro sem sair da cidade ou trabalhando durante a noite nas salas de emergência de hospitais. “Como a prática de abortos era tão lucrativa, nesse naquela época não entendia porque alguns residentes se negaram realizá-la”, afirmou Moore.
Começou praticando abortos em período parcial, logo passou a uma prática de período integral. Ao tornar-se médico residente sênior, ficou responsável por um dos centros de aborto. Também desempenhou funções de liderança e formação em seminários, convertendo-se em defensora do aborto. Mas, tudo mudou depois que ela ficou grávida.
“Foi assim até quando eu fiquei grávida e realmente comecei a examinar meus sentimentos acerca dos aspectos morais do aborto. Demorei mais de um ano para ficar grávida da minha filha. A primeira vez que vi o pequeno lampejo dos batimentos do seu coração na tela da ultrassonografia, fiquei completamente apaixonada por ela”, manifestou.
“Finalmente, cheguei a conclusão de que a única coisa que fez com que a minha filha fosse diferente dos outros bebês que assassinei foi o fato de que a desejava. Era como se tivesse tirado uma venda dos meus olhos e pudesse perceber o que antes não conseguia ver em tantos anos por ter acabado com novas vidas”.
A Dra. Moore compara sua conversão a de Saulo de Tarso, quando estava a caminho de Damasco, para converter-se em São Paulo, porque ele trabalhou incansavelmente na difusão do Evangelho depois de ter passado muitos anos perseguindo os cristãos.
Ela realizou aproximadamente 180 abortos e agora abraça a causa contra a qual lutou uma vez.
Atualmente esta médica é responsável pela formação de voluntários em um centro de recursos para a gestação, compartilhando seus conhecimentos médicos a fim de ajudar as mulheres a mudarem a mentalidade a respeito do aborto.
Diácono Valney

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Por que o Ocidente está cada vez menos religioso?


Site padrepauloricardo.org
Para a escritora norte-americana Mary Eberstadt, a causa da secularização no Ocidente tem nome e sobrenome. Chama-se decadência familiar.

A escritora Mary Eberstadt é conhecida nos Estados Unidos por suas análises conservadoras sobre a sociedade, a cultura e a filosofia norte-americanas. Em 2013, ela lançou o livro "Como o Ocidente realmente perdeu Deus", infelizmente sem tradução para o português. Para a autora, se a destruição da família é geralmente considerada um efeito da perda de identidade religiosa, o contrário também é verdadeiro. A teoria de Eberstadt vê a decadência familiar como causa da secularização que o Ocidente vem experimentando nas últimas décadas.
Eis a íntegra de uma entrevista que ela concedeu a Gerald J. Russello, editor do site The University Bookman, sob o título Family and Faith: A Two-Way Street ("Família e fé: uma via de mão dupla"):

Obrigado por se juntar a nós. Conte-nos sobre a tese do seu novo livro.
How the West Really Lost God começa com uma revisão dos argumentos convencionais para a secularização do Ocidente e observa que esses argumentos não explicam adequadamente o declínio do Cristianismo em certas partes do mundo ocidental. Se isso estiver correto — se, com todo o respeito aos novos ateístas e outros pensadores seculares, o progresso material, a educação e o racionalismo não causaram por si só o secularismo—, então, o que aconteceu?
Meu livro argumenta que, no grande quebra-cabeça do processo de secularização, tem faltado uma peça chave: a família, e os modos como as mudanças na família ocidental, por sua vez, afetaram o Cristianismo ocidental. Por razões que são apresentadas em vários capítulos, eu acredito que essas duas instituições são melhor entendidas como uma dupla hélice — que uma é tão forte quanto a outra em um dado momento da história, e que uma depende da outra para se reproduzir.
Esse é um novo modo de entender o que anda acontecendo, uma firme ruptura com o scriptsecular pós-iluminista sobre o que Nietzsche e outros chamaram de "a morte de Deus". Sob a influência desse script, muitas pessoas parecem ter decidido que o declínio da religião é simplesmente inevitável. Mas não é isso o que mostram os registros.
O seu livro ajuda a analisar os vários efeitos que a modernidade teve em diferentes partes do mundo. Você nota que a modernidade e a perda da necessidade da religião nem sempre andam juntas. Na sua visão, então, o que causou a secularização da Europa?
A Europa ocidental é mais secular que os Estados Unidos, e a Escandinávia, por sua vez, é o território mais secular de todos. Consideremos, então, a Escandinávia como uma placa de Petri para a teoria do livro. Qual região iniciou a família ocidental sem casamento e o seu aliado mais próximo, o Estado social (cujo papel indiscutível na secularização é também parte dessa cultura)? A Escandinávia. Qual é indiscutivelmente o lugar mais atomizado no mundo ocidental hoje, a medir pelo, vamos dizer, número de pessoas que sequer vive dentro de uma família? Novamente, a Escandinávia. Hoje, quase metade das casas suecas é composta de uma só pessoa, por exemplo.
Eu acredito que essas mudanças não estão acontecendo de modo aleatório. A Escandinávia é um exemplo excelente para provar a tese do meu livro: o declínio religioso e o declínio familiar — medido por índices como fertilidade, casamento, divórcio e coabitação — andam lado a lado. Eles estão relacionados de modo causal.
Você fala do "Fator Família" e do "efeito que a participação na família per se parece ter na fé e na prática religiosas". Você pode explicar essa relação?
A sociologia convencionalmente supõe que o declínio religioso leva a um declínio na família — que as pessoas primeiro perdem o seu Cristianismo, e então mudam os seus hábitos de formação familiar. Acredito que esse é um entendimento muito estreito, e que a relação causal entre as duas instituições é muito mais dinâmica.
Por exemplo, nós sabemos que, se as pessoas são casadas, elas tendem muito mais a ir à igreja. Também sabemos que, se são casadas e têm filhos, elas tendem mais ainda a fazê-lo. Até agora, sociólogos observando essa conexão assumiram o fato de ir à igreja como algo que as pessoas casadas simplesmente "fazem". Eles não se perguntaram se a realidade de casar e ter uma família pode constituir uma força causal em si mesma — inclinando algumas pessoas a uma religiosidade maior.
O que o quadro geral mostra, eu acho, é que existe alguma coisa relativa à vida familiar — na verdade, mais de uma coisa — que leva as pessoas à igreja em primeiro lugar: coisas como o desejo de situar os próprios filhos em uma comunidade moral, ou o fato de que o nascimento é visto por muitas pessoas como um evento cósmico e sagrado, ou o fato de que o Cristianismo ratifica como nenhum outro credo secular o tipo de sacrifício envolvido na vida familiar, bem como outros fatores que eu abordo no livro. Novamente, família e fé parecem operar em uma via conceitual de mão dupla, e não em uma de direção única.
Quais dados você encontrou relacionando o declínio da família com crises econômicas ou sociológicas?
Há inúmeros dados para conectar o fortalecimento da família a benefícios econômicos — e também, por outro lado, para conectar declínio familiar a crise econômica.
No momento, toda uma biblioteca poderia ser construída para abrigar a ciência social sobre o rompimento da família incluindo, por exemplo, o fato de que lares destruídos aumentam a probabilidade estatística de que crianças tenham problemas educacionais, comportamentais e outros que possam impedir o seu sucesso na vida; ou outras verdades inconvenientes, as quais, apesar disso, estão empírica e firmemente estabelecidas. O último grande cientista social James Q. Wilson brincava que existem tantos dados atestando os benefícios da família que até alguns sociólogos estão começando a acreditar nela.
No livro, eu também tento olhar para tipos de efeitos colaterais menos comuns, mas igualmente fáceis de perceber — especialmente aqueles que ajudam o declínio familiar a impulsionar o declínio religioso.
Mas as estruturas da família não são meramente arbitrárias? Por que uma família "natural" é importante?
Ao falar de família "natural", eu me refiro simplesmente à configuração de família que outros modelos podem até imitar, mas não poderão jamais replicar, ou seja, o modelo fundamental baseado nos irredutíveis laços biológicos de mãe, pai, filhos etc. O Cristianismo tem dependido historicamente dessa forma de família, que é a que aparece nos bancos das igrejas cristãs tradicionais.
O destino da família natural é também importante para o destino do Cristianismo de outra forma: porque a história cristã em si mesma está repleta de personagens, metáforas e significado familiares. No fim das contas, trata-se de uma religião que começa com o nascimento de uma criança, que tem uma Sagrada Família, que entende o próprio conceito de Deus como o de um Pai amoroso e benevolente.
O que acontece, então, se vivemos em um mundo — como nós do Ocidente vivemos — em que mais pessoas experimentam cada vez menos essas mesmas coisas? O ponto é que a desintegração da família introduz uma nova complexidade na transmissão de certas características da mensagem cristã. Como você explica Deus Pai a alguém que cresceu sem uma figura masculina e paterna dentro de casa? Ou como falar o que há de tão sagrado sobre um bebê a pessoas que — em um tempo de taxas decrescentes de natalidade e outras mudanças familiares — talvez nunca tenham ou cuidem de uma criança?
Esses problemas não são insuperáveis. Todavia, são problemas que não existiam antes. Novamente, mudança familiar e mudança religiosa andam lado a lado.
Por que deveríamos nos preocupar com o declínio da fé cristã no Ocidente?
É um ponto de vista do livro o de que todos têm uma posição sobre esse assunto. Crentes ou seculares, todo mundo tem um palpite a dar sobre o papel do Cristianismo no espaço público moderno.
Há um capítulo inteiro dedicado aos dados que demonstram apenas essa proposição. É difícil condensar isso em uma frase sem parecer reducionista, mas, para se ter uma ideia, pessoas religiosas são, de maneira geral, mais felizes, mais saudáveis e significativamente mais caridosas com o seu tempo e o seu dinheiro do que pessoas seculares. É claro que todos podemos pensar em exceções, mas essas generalizações são corroboradas por ciência social absolutamente isenta.
Esse é um exemplo de como, no seu melhor, aqueles que creem "dão um retorno" para o resto da sociedade. Há outros exemplo ainda. O Cristianismo tradicional tenta encorajar famílias fortes, por exemplo, e à medida em que isso funciona, essa prioridade institucional também é de evidente benefício social. É possível argumentar que o grande e crescente Estado social não existiria sem a fratura do lar ocidental, porque muito do que o Estado faz é servir de substituto para o pai ou provedor do lar — fazer os tipos de coisas que costumavam ser feitas por famílias autossuficientes.
Na sua análise, que efeito tiveram os novos imigrantes islâmicos na Europa?
O livro limita a sua análise ao Cristianismo, o que já é mais do que o suficiente para um volume. Por isso, pode ser que a tese do livro se aplique a outras confissões que não a cristã.
Ao longo de todo o globo, por exemplo, alta fertilidade é associada com alta religiosidade. Quanto mais religiosas são as pessoas, mais elas tendem a ter filhos, e pessoas profundamente religiosas tendem ainda mais a ter famílias numerosas que outras pessoas. É a dupla hélice novamente em ação, e os muçulmanos da Europa exemplificam isso também.
De qualquer modo, é claro que o que torna a confusão das mesquitas na Europa tão óbvia é o silêncio de muitas igrejas, porque elas estão vazias.
Você acha que algo pode ser feito para revigorar alguma das duas hélices que você descreve — a fé e a família?
Sempre há algo a ser feito. Parte da resposta se encontra nas bases. Se as pessoas entenderem que "a importância da família para a fé" não é apenas retórica, mas, ao contrário, se trata de uma conexão orgânica profunda à qual é preciso prestar atenção, a revigoração acontecerá em cada igreja e congregação por vez.
Ter uma família é um trabalho pesado em qualquer tempo ou época, de modo que quem se preocupa com a família enquanto instituição deve pensar em todas as coisas que facilitam a vida das pessoas — coisas pequenas, mas significativas. As igrejas naturalmente fazem algumas dessas coisas, mas, sem dúvida, elas poderiam fazê-las melhor e com mais vigor. É tentador ter o Estado social tomando as rédeas do que instituições menores, como igrejas, poderiam estar fazendo melhor e com mais sensibilidade e eficiência. Todavia, é preciso resistir a essa tentação se as igrejas quiserem construir comunidades mais vibrantes. O que elas precisam é competir com o Estado oferecendo serviços melhores à comunidade.
Além das bases, a maior questão no horizonte deve ser o que vai acontecer ao moderno Estado social que ao mesmo tempo contribuiu para o declínio da família e emergiu como um substituto custoso para a família. Será o Estado babá, tal como o conhecemos — tomando conta de seus cidadãos do berço ao túmulo —, sustentável? Tendências demográficas e econômicas, especialmente em partes da Europa ocidental, sugerem que a resposta a longo prazo talvez seja negativa. E se fosse para o atual Estado social imperar ou mesmo implodir, é difícil ver como qualquer instituição a não ser a família poderia emergir no vácuo resultante.
No livro, eu ofereço dois capítulos — um para o caso do otimismo e outro para o do pessimismo —, a fim de que os leitores possam decidir por si próprios. De qualquer modo, o renascimento de ambas as instituições já aconteceu antes na história, como o livro frequentemente menciona. Não é difícil imaginar essa mesma renascença acontecendo de novo.
Diácono Valney
Fonte: Universidade Bookman | Tradução: Equipe CNP

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Mostra recorda 30 anos do histórico abraço entre João Paulo II e o Rabino Toaff


João Paulo II foi o primeiro Pontífice a visitar a Sinagoga de Roma – RV
 Roma – O diálogo e o respeito recíproco foram o objetivo e a importante mensagem do Papa João Paulo II e do Rabino Elio Toaff, que exatamente há 30 anos se abraçaram na frente da Sinagoga de Roma. Para recordar estes dois corajosos religiosos, a um ano da morte do rabino, foi inaugurada na quarta-feira,13, no Museu Judaico, uma mostra intitulada “1986-2016. Trinta anos do histórico abraço entre o Papa João Paulo II e o Rabino Elio Toaff”.
“Não tanto a mostra, em si mesma, tem importância, mas o símbolo daquilo que queremos representar, sobretudo, o abraço físico que hoje se torna momento ideal de acolhida, de escuta e de compreensão”, declarou à Adnkronos Ruth Dureguello, Presidente da Comunidade Judaica de Roma, durante a inauguração da mostra.
Aquele foi “um gesto corajoso que há trinta anos marcou uma reviravolta nas relações entre o mundo judaico e cristão – acrescentou Ruth – e que hoje se torna não somente um percurso, mas sobretudo um alerta para as futuras gerações. Um exemplo a ser seguido, uma pedra angular daquilo que deve ser a educação e a formação, assim como as relações entre os povos e as pessoas”.
A curadora da mostra, Lia Toaff, neta do Rabino, explicou que a iniciativa revela também o longo processo que levou àquele histórico encontro – foi a primeira visita de um Pontífice à Sinagoga -  em 13 de abril de 1986. “É muita emoção, porque cada vez que organizo alguma coisa – e já aconteceu isto antes – que diz respeito à figura do meu avô, devo rever todas as suas cartas, reorganizá-las, ler os seus relatos. Assim, a emoção é muita, é algo que me toca de perto, é doloroso reviver aquilo que eles nos contava, aos seus netos, pessoalmente. Este acontecimento nos contou sempre como algo de excepcional, uma coisa de que ele estava muito orgulhoso. É para mim – acrescentou – importante reviver esta experiência lendo os escritos de meu avô”.
“Para mim, acima de tudo é “meu avô” – sublinhou Lia – o que ele fez pela coletividade todos o sabem e aquilo que ele construiu, o diálogo que aconteceu em seguida, a carta de João Paulo II aqui exposta pelos 80 anos de meu avô, uma carta que ilumina precisamente aquilo que fizeram para construir este importante diálogo. Somente estes documentos expressam a importância quer do 30º aniversário do abraço, assim como o primeiro aniversário da morte de meu avô, e acredito que não poderia haver momento melhor para organizar esta mostra”.
O filho do Rabino, Daniel, recordou a emoção e as preocupações daquele encontro: “Emoção sim, mas também preocupação, porque meu pai tinha consciência da importância histórica da visita do Papa á Sinagoga. Recordo também que eu estava presente no colóquio privado entre meu pai e o Papa Wojtyla, também porque eu deveria fazer uma reportagem para a RAI”.
Na inauguração da mostra, também estava presente o Rabino Chefe de Roma, Riccardo di Segni, que recordou como “aquele abraço foi a tradução mediática dos passos em frente dados pelos cristãos em relação ao judaísmo com o Concílio Vaticano II e os documentos sucessivos”. “Foi importante – acrescentou – porque mudou na consciência geral a relação entre cristianismo e judaísmo, mas foi um passo difícil. Toaff me disse que vinha o Papa na Sinagoga e era necessário entender e gestir o evento – recordou Di Segni. Esta mostra preserva a memória e quer ser uma mensagem de convivência e de respeito recíproco”.
A mostra – que recolhe fotografias, documentos, escritos do próprio Rabino Toaff e jornais da época – nasce da colaboração entre a Comunidade Judaica de Roma e os Correios italianos.
Diácono Valney

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Casar ou morar junto?

Entenda as diferenças entre casar e morar junto.

Canção Nova
A escolha por viver juntos em vez de se casar, muitas vezes, surge da curiosidade de ver se o casal é compatível. O pensamento por detrás da decisão, uma vez que ambos dividirão o mesmo teto e as despesas, é que, se as coisas não derem certo, eles não precisarão de um divórcio nem passarão por todo aquele sofrimento. Por fim, a dúvida entre casar ou morar junto surge.
Entenda as diferenças entre casar ou morar juntoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com
O casamento é uma decisão de suma importância, que requer do casal um discernimento sério. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou 341,1 mil divórcios em 2014, ante 130,5 mil registros em 2004, um aumento de 161,4% em uma década. Considerando a alta taxa de divórcio, que muitos namorados experimentam de seus próprios pais, é compreensível o medo que eles trazem de assumir um compromisso definitivo.
Em entrevista ao Portal Canção Nova, o norte-americano Mark Evan, especialista na Teologia do Corpo de São João Paulo II, afirma que a coabitação não é boa para os casais. “Eles perdem o significado do ato sexual, pensando que significa apenas ‘eu te amo’, mas significa ‘eu sou seu para sempre’, e essas palavras são verdadeiras apenas quando eles se casam”. Quem vive junto, mas sem o sacramento do matrimônio, em cada relação sexual está dizendo: “Eu estou com você enquanto isso durar”. A porta dos fundos está sempre aberta para eles se deixarem. Eles pensam que estão se amando, mas, na verdade, estão apenas usando um ao outro para benefício próprio por um período indeterminado de tempo.
Parece lógico que a convivência oferecerá uma boa visualização do casamento, porém, sociólogos descobriram que a expectativa de uma relação positiva entre coabitação e a estabilidade conjugal foi destruída nos últimos anos por estudos realizados em vários países ocidentais.

As seis desvantagens de morar juntos antes do casamento

Os estudos descobriram que se o casal quer um casamento bem-sucedido, é melhor morar juntos só depois do casamento. O norte-americano Jason Evert, mestre em teologia e aconselhamento matrimonial, aponta seis desvantagens em coabitar.
1. A maioria dos casais que vivem juntos nunca se casaram. Aqueles que moram juntos antes do casamento têm uma taxa de divórcio até 80 por cento mais elevado do que aqueles que esperaram até depois do casamento para viverem juntos.
2. Casais que coabitaram antes do casamento também têm maior conflito conjugal e comunicação mais pobre, eles fazem visitas mais frequentes a conselheiros matrimoniais.
3. As mulheres que coabitam antes do casamento tem três vezes mais probabilidade de trair seus “maridos” do que as mulheres que se casaram.
4. As mulheres que coabitam têm três vezes mais probabilidade de ter depressão do que as mulheres casadas.
5. Casais que coabitam são sexualmente menos satisfeitos do que aqueles que esperaram até o casamento.
6. Do ponto de vista de duração matrimonial, paz e a fidelidade conjugal, segurança física, bem-estar emocional e a satisfação sexual, é evidente que a coabitação não é uma receita para a felicidade.

Casais que coabitam têm maiores taxas de divórcio

Um dos motivos para o aumento da taxa de divórcio é que coabitar enfraquece o compromisso. “Se um parceiro encontra falhas suficientes no outro, eles estão livres para ir embora. O desejo de introduzir um test drive mostra falta de fé no amor de um pelo outro”, esclarece Jason. Por um lado, o casal está dizendo que eles desejam uma intimidade plena, mas, por outro lado, querem deixar uma saída caso o parceiro não esteja à altura. Isso semeia dúvidas e desconfianças desde o início do relacionamento.
As seis desvantagens de morar juntos antes do casamento Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Casamentos bem-sucedidos não são o resultado de uma falta de características irritantes no cônjuge, mas o resultado de escolher amar e perdoar o outro no dia a dia, com todas as suas imperfeições.

O que devemos fazer se estamos vivendo juntos?

Mark Evan recomenda que os casais se mudem para apartamentos separados e parem de ter relações sexuais. “O casal deve começar a construir a relação em terreno mais sólido, fazer as perguntas fundamentais e ver se eles realmente se conhecem e se são realmente bons um para o outro, para unir suas vidas para sempre.”
Esperar para compartilhar o dom do sexo não deve ser visto como um passivo atraso de paixão, mas como uma formação ativa de fidelidade. Afinal, você não quer saber antes do casamento se o seu cônjuge será capaz de resistir às tentações depois do casamento?
Como qualquer casal, você sonha com um amor duradouro. Portanto, se você quer fazer o relacionamento dar certo, salve o seu casamento antes que ele comece e more com o seu cônjuge só após o casamento.
Diácono Valney