domingo, 22 de setembro de 2013

Política de Dois Filhos na China: Pouco demais, tarde demais...

·       NOVA IORQUE  (C-FAM)  - Com seu anúncio de possíveis reformas, a China está confessando implicitamente que sua política de quarenta anos de um só filho por família foi um fracasso.
A lei levou a abusos draconianos. Houve um número estimado de 336 milhões de abortos, inclusive abortos forçados e esterilizações forçadas nas mãos de uma poderosa e intrusiva elite governante de planejamento familiar controlando os aspectos mais íntimos da vida chinesa. Uma crescente frieza para com crianças e família é atribuída a essa política. Anualmente, milhares de crianças são abandonadas, e milhares mais são sequestradas e vendidas. Tantos bebês abandonados morrem que o governo estabeleceu “cabanas” onde os pais podem deixar seus filhos, em grande parte meninas. A revista Time noticiou que a polícia prendeu traficantes de crianças só por descobrir que seus pais não queriam seus filhos de volta. Os pais os haviam vendido à gangue em troca de dinheiro que eles muito precisavam.
Xinhua, a maior agência noticiosa da China, informou sobre uma mudança que está sendo proposta para a política muito impopular em agosto, a especulação foi confirmada por autoridades governamentais. A atual política restringe casais na maioria do país de obter permissão para um segundo filho, a não ser que o marido e a mulher não tenham irmãos. No futuro, só um dos pais teria de ter filho único para se qualificar. Após dois anos, o país inteiro mudaria para uma política de dois filhos, dizem os informes.
Um recente relatório do Deutsche Bank projetou que o novo plano poderá levar a um rápido aumento de natalidade, mas seria pouco demais e tarde demais para evitar crises econômicas tais como o enorme déficit de aposentadoria da China. O relatório projetou um aumento no índice de fertilidade da nação de 1,45 a 1,66 por mulher, com a mudança maior vista em áreas urbanas, onde a política é a mais restrita hoje, de 1,18 a 1,51. Áreas rurais poderiam crescer de 1,77 a 1,86 em 2018. Mesmo assim, o aumento seria bem abaixo da taxa de substituição, cerca de 2,1 filhos por mulher. Uma redução no déficit de aposentadoria só seria cerca de 4% não antes de 2040, disse o relatório.
A mudança é atribuída à influência retrocedente da velha guarda e alguma reforma burocrática dentro da elite chinesa de planejamento familiar. O principal impulsionador, a maioria concorda, é o fato de que Beijing está reconhecendo uma iminente crise demográfica devido ao acentuado declínio de fertilidade.
Desde o início da política de um só filho em 1971, líderes chineses junto com especialistas da ONU e os demógrafos mais importantes a justificaram dizendo que menos pessoas tornariam o povo chinês mais próspero. Mas o acentuado declínio de fertilidade levou a um encolhimento da força de trabalho de cinco a seis anos antes do que os especialistas haviam projetado. A contração começou em 2010 quando o pico da força de trabalho estava em 150 milhões. Uma escassez de 3 milhões de trabalhadores foi registrada em 2012, e uma escassez de 140 milhões de trabalhadores é prevista para a década de 2030.
Para piorar tudo, o relativo declínio da força de trabalho na China é mais profundo do que até mesmo os números lúgubres sugerem. A rodada mais recente de projeções da ONU mostra a China envelhecendo mais rápido do que a ONU havia previsto anteriormente. Enquanto isso, seus grandes competidores, os EUA e a Índia, verão aumentos no tamanho da força de trabalho devido a uma continuação de suas taxas de quase substituição durante 2100.
Nas cidades selecionadas em que as autoridades chinesas lançaram as novas leis, os casais não têm respondido tendo mais de um filho. Isso indica que as normas mudaram para famílias muito pequenas. As pesquisas nacionais de opinião pública indicam que de 40 a 50 por cento dos casais gostariam de ter 2 filhos. Mas a maioria foi conduzida antes por problemas da economia. Os custos de vida que não param de subir e suas consequências, tais como separações para procurar trabalho, bem como crescente infertilidade devido à poluição e condições de pobreza são os culpados. O governo anunciou nesta semana que financiaria um estudo para investigar a causa da infertilidade em 40 milhões de mulheres chinesas, de acordo com o portal noticioso chinês Caixin.
Ainda que os casais respondam à mudança de política com famílias de dois filhos, há pouca indicação de que eles se verão livres dos olhos intrusivos — e mecanismos de fiscalização e coerção — das autoridades de planejamento familiar. Junto com os abortos forçados e as esterilizações forçadas, essas autoridades coletam excessivas multas por filhos não autorizados que equivalem a duas a dez vezes a renda anual de um casal. De acordo com reportagens, o governo captou mais de 2 bilhões de dólares em multas em 2012.
Tradução: Julio Severo.

Diácono Valney


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A história do hábito eclesiástico.

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Por: Dom Marcello Stanzione

10 1Existem duas tendências opostas na história do hábito eclesiástico do clero: por um lado, o desejo de manifestar o estado separado e o caráter sagrado do clero e, assim, colocá-lo em estado de alerta frente à tentação de viver de maneira profana; por outro lado, o desejo de não estar muito longe das pessoas que devem evangelizar, devido a uma vestimenta estranha e excêntrica em comparação com aquela habitual a todos os cristãos. Do século VI ao final do XIX é a primeira tendência que domina, de maneira quase que exclusiva. Sabe-se que nos primeiros cinco séculos não havia diferença alguma entre a veste civil e a clerical. De fato, nos primeiros séculos, a Igreja não tinha estatuto jurídico legal em meio a um mundo onde não havia outras instituições além do Estado Romano. Além disso, as perseguições ameaçavam continuamente a cristandade, por isso não era apropriado que os membros do clero fossem facilmente reconhecíveis. Assim, vemos Cipriano de Cartago, no III século, no momento do seu martírio, vestido como todos, isto é, com uma roupa simples, no formato de uma túnica longa por baixo e com uma outra vestimenta por cima, uma espécie de toga simplificada, com aberturas laterais para garantir a liberdade dos movimentos do braço e, finalmente, uma dalmática, que tinha mangas e cujo manto era fechado de todos os lados. Muito tempo depois das perseguições, os clérigos mantêm um hábito muito parecido com o dos leigos de classe média.
O papa São Gregório e o papa São Zacarias vestiam roupas segundo o costume de vestimenta da classe média da cidade. A própria vestimenta litúrgica, nestes primeiros séculos, não era diferente da roupa civil. A mais antiga representação da Eucaristia, na catacumba de São Calisto, mostra-nos o celebrante trajando apenas uma túnica longa que deixa um ombro e o peito nu.
Nos séculos posteriores, a vestimenta litúrgica continua sendo a veste civil; mas se recomenda para a liturgia uma limpeza especial das roupas. Ao contrário de Roma, na França, os bispos do século V começaram a ter um vestiário diferente, não um traje luxuoso; mas para seguir o Evangelho, que recomenda que os rins sejam cingidos e que não haja posse de um manto, com isso, decidem portar um pequeno pálio. O Papa Celestino, no ano 428, os culpou de maneira violenta porque introduziram um costume contrário ao da Igreja: “se é preciso distinguir-se do povo e dos outros, conclui o Papa, que seja pela doutrina não pela vestimenta. E se é preciso seguir o Evangelho ao pé da letra, por que não segurar um cajado e uma lanterna acesa na mão?”.
Neste sentido, é interessante notar que o uso da mitra episcopal é desconhecida antes do século nono. Foram as invasões bárbaras que criaram uma revolução na vestimenta que influenciou também a veste clerical. Enquanto a antiga civilização permaneceu fiel à veste longa, os invasores da Alemanha portavam uma veste curta e aberta que deixava os membros livres. Igualmente, Carlos Magno não usou mais que duas vezes na vida a túnica romana longa e, quando o fez, foi por ordem expressa de dois Papas, escandalizados com uma moda considerada indecente e progressista.
No período merovíngio, no século XII, a vestimenta curta torna-se universalmente utilizada, é composta de calças curtas (uma espécie de cueca), de uma túnica com comprimento acima dos joelhos, com mangas e presa na cintura por um cinto e de um manto aberto sobre o ombro. Somente o rei, pelo menos a partir de Capeti, pode usar uma túnica longa no estilo dos imperadores bizantinos.
downloadOs clérigos foram muito tentados a usar esta vestimenta de origem militar porque sentiram que era mais confortável e prática; por isso não acho que os concílios eclesiásticos dos séculos V, VI e VII se expressaram contra esta moda profana de origem bárbara e convidou os clérigos  a utilizar a veste longa romana, ou seja, a antiga veste civil, que tornou-se arcaica. Será o Papa Zacarias que, no ano 743, permitirá que os clérigos usem, durante as viagens, um hábito curto mais confortável. Nesta época, nenhuma cor é indicada nem para os bispos nem para os presbíteros: mas é exortado que seja um hábito modesto e sem luxo.
A partir do V século é imposta uma nota distintiva para os clérigos: o corte curto dos cabelos. Entre os alemães, os nobres possuíam cabelos longos. Daí, vários concílios impuseram aos clérigos o estilo curto, ao molde antigo. A partir do século VI se introduz lentamente o corte (que seria melhor se fosse chamado: o barbeado), imitando os monges que não possuem uma pequena coroa de cabelo ao redor do crânio. Neste corte de estilo monacal encontramos facilmente um sentido simbólico: o diadema do sacerdócio real.
Os clérigos foram muitas vezes dispensados do seu uso, por isso os concílios retornaram frequentemente nesta obrigação. Somente a partir do século XVI, o pequeno corte ou mesmo a tonsura no topo da cabeça, substitui a coroa para os diocesanos e para os clérigos regulares. Retornando ao hábito, sabemos que no século XII, temos de novo uma inversão na moda: a partir do ano 1140, provavelmente imitando o Oriente, através da mediação do reinado normando da Silícia, a capa, bem como a túnica longa retornam à moda por parte do povo e se espalha num luxo inédito lançando um decretando contra os trajes de mangas longas, os trajes quebrados, a seda, as peles preciosas e também a cores brilhantes, como o vermelho e o verde.
Os cardeais, como uma instituição que surge por volta do século XI, começaram a usar no século XIII, pelo menos para o chapéu, o roxo violeta, sinal imperial reservado ao Santo Padre e aos seus legados. O roxo violeta se tornará, lentamente, a cor do atual hábito solene de cerimônia dos bispos.
No século XIV, houve uma nova virada da moda: o povo retornou às vestes curtas e com um corte ajustado ao corpo que criou escândalo entre as pessoas da Igreja, que as consideraram imorais e ridículas.
1036255_65429796A metade do século XV representa um período decisivo para o futuro da moda masculina na vida civil. As cruzadas fizeram com que se propagasse por toda a Europa o uso da seda pela variedade de cores. As roupas masculinas eram tão apertadas que foi preciso fazer um arranjo particular na região dos órgãos genitais. Agora, a veste longa não será mais que uma vestimenta cerimonial, um pouco como o “frak” e a cartola nos nossos dias. A veste longa tem um caráter real que Felipe, o Belo concederá ao secretário da França e aos juízes, juntamente com a púrpura e o arminho, insígnias do poder supremo.
Os concílios dos séculos XIV e XV prescreveram para o clero o hábito longo e fechado de todos os lados. O Concílio de Trento (Sessão XIV, Decreto sobre a reforma, cân. VI) expressa de maneira sóbria o espírito da Igreja da Contrarreforma: “Embora o hábito não faça o monge, é todavia necessário que os clérigos portem sempre o hábito conforme o seu próprio estado, de modo que as vestes exteriores manifestem a honestidade interior dos costumes. Hoje, por outro lado, a temeridade e o desprezo pela religião, da parte de alguns, foi tão longe que, sem estima alguma pela própria honra e pela própria dignidade clerical, usam vestes de leigos, até publicamente, tendo os pés sobre campos diversos: um nas coisas divinas e outro nas coisas carnais”.
Diácono Valney

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Atualize sua opinião sobre famílias numerosas

IPCO
FamiliaO General Social Survey, uma compilação de dados sociológicos, contém entrevistas com 57 mil adultos dos Estados Unidos realizadas pelo Centro Nacional de Pesquisas de Opinião, da Universidade de Chicago. É recentíssimo.
Downey e Bobbitt-Zeher, desta equipe, apresentaram suas conclusões na 108º reunião anual da Associação de Sociologia Norte-Americana (ASA, na sigla em inglês), que terminou em13 de agosto último em Nova York. As quais são muito interessantes e oportunas: quanto mais irmãos a pessoa tem, menos provável é que ela se divorcie quando crescer, sugere um estudo apresentado no último dia 13 em uma grande convenção de sociólogos norte-americanos.[1]
 “A verdadeira questão parece ser como a dinâmica familiar muda gradativamente com a adição de cada irmão“, explicou Donna Bobbitt-Zeher, coautora do estudo.
“Ter mais irmãos significa maior experiência em lidar com os outros – e isso parece oferecer ajuda adicional para lidar com um relacionamento conjugal na vida adulta“, esclareceu. E também não conjugal, acrescento eu.
“Maior experiência em lidar com os outros”: quem tem muitos irmãos, recebe uma influência em seu temperamento que pode ser benéfica, com uma tendência a ser desembaraçado, sociável, conhecendo o próximo em suas qualidades e seus defeitos, podendo votar-lhe consideração e estima.
Plinio Corrêa de Oliveira acrescenta: A natureza do homem leva-o a estabelecer nexos mais diretos com certas coisas, e relações mais próximas com certas pessoas. Ser proprietário, ter família, são situações que lhe dão uma justa sensação de plenitude de personalidade. Viver como átomo isolado, sem família nem bens, em meio a uma multidão de pessoas, estranhas, lhe dá uma sensação de vazio, de anonimato e isolamento, que é para ele profundamente antinatural .
O mesmo autor ressalta que a parentela numerosa “emprestava vida e calor à família”.
E passa a descrever: “O número considerável de filhos dá ao ambiente doméstico uma animação, uma jovialidade efervescente, uma originalidade incessantemente criativa, no tocante aos modos de ser, de agir, de sentir e de analisar a realidade quotidiana de dentro e de fora de casa, que tornam o convívio familiar uma escola de sabedoria e de experiência, toda feita da tradição comunicada solicitamente pelos pais, e da prudente e gradual renovação acrescentada respeitosa e cautamente a esta tradição pelos filhos. A família constitui-se assim num pequeno mundo, ao mesmo tempo aberto e fechado à influência do mundo externo”.
“A organização familiar como eu a descrevi (diz Dr. Plinio) pode ser comparada às águas de umapiscina, renovadas discreta, mas certamente, de maneira a evitar a estagnação: não são nem as torrentes revoltas da aventura e da improvisação, nem a estagnação que recusa todos os valores novos”.[2]
Com a crise da instituição familiar, a solução muitas vezes é a fuga: “Tende-se a fugir, e se foge indo para a rua ou trazendo a rua para dentro de casa, sob o aspecto de duas ou três televisões em várias salas”.
Do alto da Cátedra de Pedro, o Papa Pio XII se pronuncia: “Magnífico espetáculo, especialmente em algumas regiões, oferecem aquelas famílias muito bem chamadas patriarcais, nas quais o espírito do avô desaparecido ainda perdura, comunica-se e se transmite de geração em geração, como o melhor e mais sacro patrimônio, guardado mais zelosamente que o ouro ou a prata”.
Diácono Valney

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dados impressionantes da JMJ Rio 2013



Dados impressionantes da JMJ 2013

- 3,7 milhões de pessoas, 180 nações, 644 bispos e 28 cardeais, 7814 sacerdotes, 632 diáconos, 900 Catequeses dadas em 264 locais, em 25 idiomas, 60 mil voluntários, 800 artistas participantes dos Atos Centrais, 100 confessionários, 4 milhões de hóstias produzidas, 2 milhões de turistas religiosos (R$1,8 bilhão na cidade). 93% dos turistas vindos de 180 países pretendem voltar, 6400 jornalistas de mais de 70 países.

Diácono Valney

domingo, 14 de julho de 2013

Perito desmente mitos anti-católicos sobre as Cruzadas

Por ACI DIGITAL
O perito historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), desmente quatro mitos anti-católicos sobre as Cruzadas, como por exemplo que os participantes teriam se fartado de riquezas quando na verdade aconteceu é que muitos terminaram na ruína financeira.
O investigador das Cruzadas assinala em um artigo publicado em abril deste ano que com freqüência "as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subseqüente".
 "Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida", prossegue.
 Entretanto, precisa o perito autor do livro "The Templar of Tyre", a "unanimidade não é garantia de precisão. O que todo mundo ‘sabe’ sobre as cruzadas poderia, de fato, não ser certo".
 Seguidamente rebate, um por um, quatro mitos que terminam por mostrar algo que, em realidade, não foram as Cruzadas.
 Primeiro mito: "as cruzadas representaram um ataque não provocado de cristãos ocidentais contra o mundo muçulmano"
 Crawford assinala que "nada poderia estar mais longe da verdade, e inclusive uma revisão cronológica esclareceria isso. No ano 632, Egito, Palestina, Síria, Ásia Menor, o norte da África, Espanha, França, Itália e as ilhas da Sicilia, Sardenha e Córsega eram todos territórios cristãos. Dentro dos limites do Império Romano, que ainda era completamente funcional no Mediterrâneo oriental, o cristianismo ortodoxo era a religião oficial e claramente majoritária".
 Por volta do ano 732, um século depois, os cristãos tinham perdido a maioria desses territórios e "as comunidades cristãs da Arábia foram destruídas completamente em ou pouco tempo depois do ano 633, quando os judeus e os cristãos de igual maneira foram expulsos da península. Aqueles na Pérsia estiveram sob severa pressão. Dois terços do território que tinha sido do mundo cristão eram agora regidos por muçulmanos".
 O que aconteceu, explica o perito, a maioria das pessoas sabem mas só lembra quando "recebem um pouco de precisão": "A resposta é o avanço do Islã. Cada uma das regiões mencionadas foi tomada, no transcurso de cem anos, do controle cristão por meio da violência, através de campanhas militares deliberadamente desenhadas para expandir o território muçulmano a custa de seus vizinhos. Mas isto não deu por concluído o programa de conquistas do Islã".
 Os ataques muçulmanos contra os cristãos seguiram já não só nessa região mas contra a Europa, especialmente Itália e França, durante os séculos IX, X e XI, o que fez que os bizantinos, os cristãos do Império Romano do Oriente, solicitassem ajuda aos Papas. Foi Urbano II quem enviou as primeiras cruzadas no século XI, depois de muitos anos de ter recebido o primeiro pedido.
 Para o Dr. Crawford, "longe de não terem sido provocadas, então, as cruzadas realmente representam o primeiro grande contra-ataque do Ocidente cristão contra os ataques muçulmanos que se deram continuamente desde o início do Islã até o século XI, e que seguiram logo quase sem cessar".
 Quanto a este primeiro mito, o perito faz uma singela afirmação para entender um pouco melhor o assunto: "basta perguntar-se quantas vezes forças cristãs atacaram Meca. A resposta é obvia: nunca".
 Segundo mito: "os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos"
 "Novamente –explica– não é verdade". Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que "poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas".
 Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, "as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação".
 "Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo", acrescenta.
 Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era "uma meta impossível de ser alcançada", o historiador assinala que "muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira". 
 Terceiro mito: "os cruzados foram um bloco cínico que em realidade não acreditava nem em sua própria propaganda religiosa, senão que tinham outros motivos mais materiais"
 Este, assinala o perito historiador em seu artigo, "foi um argumento muito popular, ao menos desde Voltaire. Parece acreditável e inclusive obrigatório para gente moderna, dominada pela perspectiva do mundo materialista".
 Com uma taxa de mortes que chegava perto de 75 por cento dos que partiam, com uma expectativa de voltar financeiramente quebrado e não poder sobreviver, como foi que a predicação funcionou de tal forma que mais pessoas se unissem?, questiona o historiador.
 Crawford responde explicando que "as cruzada eram apelantes precisamente porque era uma tarefa dura e conhecida, e porque empreender uma cruzada pelos motivos corretos era entendido como uma penitência aceitável pelo pecado. Longe de ser uma empresa materialista, a cruzada não era prática em termos mundanos, mas valiosa para a alma". 
 "A cruzada era o exemplo quase supremo desse sofrimento complicado, e por isso era uma penitência ideal e muito completa", acrescenta.
 O historiador indica logo que "com o complicado que pode ser para que as pessoas na atualidade acreditem, a evidência sugere fortemente que a maioria dos cruzados estavam motivados pelo desejo de agradar a Deus, expiar seus pecados e colocar suas vidas ao serviço do ‘próximo’, entendido no sentido cristão".
 Quarto mito: "os cruzados ensinaram aos muçulmanos a odiar e atacar a cristãos"
Outra vez, esclarece Paul Crawford, que nada está mais afastado da verdade. O historiador assinala que "até muito recentemente, os muçulmanos recordavam as cruzadas como uma instância na que tinham derrotado um insignificante ataque ocidental cristão".
A primeira história muçulmana sobre as cruzadas não apareceu senão até 1899. Por isso então, o mundo muçulmano estava redescobrindo as cruzadas, "mas o fazia com um giro aprendido dos ocidentais".
"Ao mesmo tempo, o nacionalismo começou a enraizar-se no mundo muçulmano. Os nacionalistas árabes tomaram emprestada a idéia de uma longa campanha européia contra eles da escola européia antiga de pensamento, sem considerar o fato de que constituía realmente uma má representação das cruzadas, e usando este entendimento distorcido como uma forma para gerar apoio para suas próprias agendas".
Então, precisa o Dr. Crawford, "não foram as cruzadas as que ensinaram o Islã a atacar e odiar os cristãos. Os fatos estão muito longe disso. Essas atividades tinham precedido as cruzadas por muito tempo, e nos conduzem até à origem do Islã. Em vez disso, foi Ocidente quem ensinou o Islã a odiar as Cruzadas. A ironia é grande". 
Diácono Valney

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Jornada Mundial da Juventude e a mídia abortista

O desserviço da mídia politicamente correta e o anúncio pró-vida do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude


Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
Manual de Bioética que será distribuído na Jornada Mundial da Juventude
As viagens papais sempre são precedidas por uma série de polêmicas levantadas pela mídia local, a fim de jogar terra na visita do Santo Padre. A bola da vez é a distribuição de cerca de dois milhões de exemplares do "Manual de Bioética para Jovens" para o público da Jornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, no Rio de Janeiro. A iniciativa é da Comissão para a Vida e Família da CNBB e pretende, como diz o documento, "corrigir um ensino, por vezes, desvirtuado nos manuais escolares" acerca de temas como aborto, eutanásia e métodos contraceptivos. Para os "especialistas" ouvidos pela mídia, o manual seria um "desserviço" aos jovens, pois "não lhes dá o direito a uma informação técnica sem valores religiosos".
Para afastar qualquer dúvida a respeito do manual, há de se ter em conta que a idealizadora do documento é nada menos que a fundação francesa Jérôme Lejeune. Ela é uma das mais importantes em pesquisas relacionadas à trissomia 21 (Síndrome de Down) no mundo e a maior provedora de fundos para estudos sobre o assunto na França. O nome da fundação é uma homenagem ao descobridor da base genética da Síndrome de Down e a quem o Beato João Paulo II se referia como um médico que "utilizou a ciência somente para o bem do homem". Por sua defesa da vida, no entanto, o doutor Jérôme Lejeune - que pode ser beatificado em breve - foi hostilizado pelo patrulhamento da cultura da morte, fato que mostra claramente quais são os valores que regem esse movimento.
O chilique da mídia em relação ao Manual deve-se a um motivo bem específico. Ela reza por outra cartilha, mais precisamente, a da Unicef e do Ministério da Saúde. Trata-se do famoso"Caderno das coisas importantes" preparado em 2007 e distribuído pelo Governo Federal a alunos de 13 a 19 anos de idade. Nessa agenda, o adolescente encontra dicas de manuais de sexo, aprende a usar a camisinha e a como se masturbar. No capítulo dedicado ao preservativo, o leitor encontra o material sob o título de "o pirata de barba negra e de um olho só encontra o capuz emborrachado".
Capítulo do “Caderno das coisas importantes”, patrocinado pela Unicef e pela Unesco, em que se ensina a usar a camisinha
Quando a imprensa e seus pseudo especialistas dizem que a Igreja presta um "desserviço" ao jovem por lhe ensinar "valores religiosos" na verdade, estão combatendo aquilo que há muito tempo perderam, ou seja, as virtudes. Todo o código de ética procede de uma única fonte: a lei natural. É contra essa lei que a mídia liberal luta e, por conseguinte, contra o próprio ser humano. O ódio desses jornais aos valores indica uma coisa: são pessoas sem valores e imorais. E, além disso, querem que todos sejam assim. Não é à toa que a corrupção caminha a passos largos no Brasil. Bento XVI já advertia na Encíclica Deus Caritas Est que "um governo sem princípios morais não passa de uma quadrilha de malfeitores".
Quem presta um desserviço aos jovens não é a Igreja que os ensina a viver a sexualidade de forma sadia, mas a imprensa que instrumentaliza seus corpos para campanhas publicitárias. Quem desrespeita a juventude não é a Igreja que os educa para a honestidade e os compromissos duradouros, mas a mídia que os estimula à traição e aos relacionamentos descartáveis. Quem aliena os jovens não é a Igreja que os incentiva a buscar a verdade, mas os jornais que os fazem acreditar que o fim último de suas vidas está num quarto de motel. O "Manual de Bioética para Jovens" pergunta aos leitores "que futuro nos promete uma sociedade em que o modelo feminino pretende construir a sua identidade matando o próprio filho e em que a morte programada dos mais velhos e dos mais vulneráveis é apresentada como o cúmulo da compaixão?". No que depender da mídia abortista, não será um futuro promissor.
É justamente contra essa lógica perversa que se levanta a Jornada Mundial da Juventude. Para horror da mídia politicamente correta, mais de um milhão de jovens se encontrarão com o senhor vestido de branco para falarem de família, matrimônio e castidade. Francisco vem como o grande guardião da vida e da fé para anunciar a "boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade". Enfim, para "proclamar um ano de graças da parte do Senhor" (Cf. Isaías 61, 1-2). E por isso as hostes do inferno tremem, porque mais uma vez terão de lembrar que esta terra é Terra de Santa Cruz.
Diácono Valney

domingo, 9 de junho de 2013

Descristianização: Dioceses francesas põem igrejas à venda.


Luis Dufaur
Antigo mosteiro à venda em Gacé, Orne, França

No período “pós-conciliar” houve um espantoso abandono da prática religiosa na França. Os católicos, que no início dos anos 70 eram 88% da população, ficaram reduzidos a 60,4% em 2010 (último dado disponível), segundo o instituto americano Pew Research Center.
Conforme pesquisa do instituto galo Ifop, apenas 4,5% dos franceses vão à igreja todos os domingos e somente 15% a frequentam pelo menos uma vez por mês.
Imbuídas da ideia de “inserir a Igreja no mundo”, em vez de diante de tamanha queda promoverem o retorno à verdadeira prática religiosa, as dioceses francesas aceleram, pelo contrário, a venda de igrejas e de outros prédios religiosos católicos como conventos, seminários e escolas, noticiou a BBC Brasil.
Veja vídeo
Veja demolição
da igreja de Abbeville,
França, abril 2013
Acresce-se a isso o esvaziamento dos seminários modernizados. E como o afastamento dos fiéis não só prejudica gravemente o bem de suas almas, mas também os desanima a doar para a Igreja, o resultado são os milhares de igrejas fechadas por falta de recursos para mantê-las.
“As dioceses estão em uma situação financeira crítica, com cada vez menos fiéis”, explicou Maxime Cumunel, do Observatório do Patrimônio Religioso, entidade civil que tenta preservar essa herança histórica religiosa.
O corretor imobiliário Patrice Besse, especializado na venda de propriedades religiosas, explica que “antes as dioceses se sentiam incomodadas em vender suas igrejas. Afinal, elas foram construídas com o dinheiro de doações. Agora há uma necessidade econômica. É preciso vender algumas para salvar outras”.
“Há cada vez menos fiéis e menos doações. O fenômeno de venda de igrejas está aumentando”, disse Besse.
A corretora de Patrice Besse dispõe de seis igrejas à venda, com preços entre € 50 mil e € 500 mil euros (aproximadamente entre R$ 130 mil e R$ 1,3 milhão), muito pouco dinheiro se comparado ao dos imóveis residenciais.
Capela do século XII transformada em moradia. Fronsac, Gironda, França
Ele acaba de vender por € 125 mil uma igreja na cidade de Soissons, no norte da França. O comprador foi um pianista anglo-taiwanês de 21 anos.
“A manutenção custa caro, e muitas paróquias preferem vender seus bens para não ter de arcar com despesas de obras”, afirma o corretor.
É o caso de uma capela na região de Bordeaux, no sudoeste da França. A diocese local explica em seu site que a mesma está fechada por razões de segurança desde julho de 2011.
As obras necessárias são estimadas em € 400 mil, preço frequentemente gasto por milhares de franceses na restauração de propriedades históricas.
Uma igreja vendida no ano passado na pequena cidade de Vandoeuvre-les-Nancy, no leste da França, tornar-se-á um centro comercial. “Só uma centena frequentava a igreja, que tem capacidade para mais de 700 pessoas”, justificou a diocese de Nancy, que obteve € 1,3 milhão com a venda.
Este exemplo toca num ponto muito sensível. Desanimados com a desordem no clero, os católicos temem muito que vários desses templos abandonados possam ser comprados com dinheiro vindo de países islâmicos e se tornarem mesquitas muçulmanas.
Ex-Carmelo à venda, Macon, França
Teme-se também que, como já sucede, algumas virem residências pessoais – aliás, bastante esquisitas – ou locais para atividades que tocam na irreverência ou na blasfêmia.
O temor é acrescido pela frequente recusa das dioceses em ceder suas igrejas abandonadas para uso dos fiéis que nelas fariam celebrar a Missa no rito extraordinário aprovado pela Santa Sé.
Esses fiéis se dispõem a arcar com os custos da restauração e manutenção, mas suas propostas são recusadas pelos bispos diocesanos “progressistas”, obrigando os fiéis a apelar a Roma.
Segundo Benoît de Sagazan, do Observatório do Patrimônio Religioso e detentor de um blog sobre o tema, no mês de fevereiro de 2013 havia 43 igrejas e capelas à venda na França.
A descristianização da “filha primogênita da Igreja” avança como consequência da revolução interna dentro do clero e do laicato católico, por vezes mal disfarçada sob o slogan “Igreja dos pobres” ou “para os pobres”.
Diácono Valney.