quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um conselho para começar bem o Matrimônio

Um casal pode enfrentar muitos desafios, mas, mais frequentemente do que eles imaginam, será de dentro de seus próprios corações que surgirão os seus maiores problemas.
Por Jonathan B. Coe | Recentemente, um amigo meu, católico praticante, pediu-me para ser testemunha em seu casamento, a acontecer no próximo mês de dezembro. Senti-me honrado, mas imediatamente o ex-pastor dentro de mim — converti-me do protestantismo em 2004 — começou a pensar: "Se eu tivesse meia hora para falar com um casal de noivos cristãos, que conselho eu daria a eles antes de selarem os votos matrimoniais?" Como resultado dessa meditação, escrevi as seguintes linhas, as quais agora publico em primeira mão.
Como alguém que já passou por um divórcio e depois recebeu, alguns anos atrás, uma declaração de nulidade da Igreja Católica, abordo o tema desse sacramento com tremor e consciência de quão frágil pode ser essa união. Figurativamente falando, eu ando, como Jacó, "mancando por causa da coxa" (Gn 32, 32), e o pouco de sabedoria que tenho sobre esse grande mistério, não foi sem sacrifício que o recebi. Capitães do mar que passaram por naufrágios têm histórias pra contar.
Há uma história ligada a G. K. Chesterton repetida tantas vezes que muitas pessoas acreditam que seja verdadeira, ainda que não haja disso nenhuma prova documental. Certa vez, um jornal diário de grande circulação na Inglaterra, London Times, fez uma pesquisa com alguns escritores famosos perguntando-lhes: "O que há de errado com o mundo hoje?". A resposta de Chesterton foi simples:
Prezado Senhor,

Eu.

Atenciosamente,
G. K. Chesterton
Um casal pode enfrentar muitos desafios — dificuldades com os sogros, crises econômicas, questões de saúde —, mas, mais frequentemente do que imaginam, será de dentro de seus próprios corações que virão os seus maiores problemas. A Igreja Católica ensina que "pelo Batismo todos os pecados são perdoados: o pecado original e todos os pecados pessoais, bem como todas as penas devidas ao pecado", mas "permanecem no batizado certas consequências temporais do pecado, assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscência" (Catecismo da Igreja Católica, § 1263-1264).
Concupiscência é a herança que recebemos de nossos primeiros pais e que se caracteriza por "transferência de culpa": quando Deus confrontou Adão, este acusou Eva e a mulher, por sua vez, acusou a serpente. O casal que se coloca diante do altar sabendo que os seus maiores problemas emergem de um coração que "é o que há de mais enganador, e não há remédio, quem o pode entender?" (Jr 17, 9), já começa com uma grande vantagem. Essa é uma das razões pelas quais católicos praticantes — e cristãos devotos em geral — possuem taxas significativamente baixas de divórcios. A fé praticada todos os dias lembra o casal da concupiscência permanente e insidiosa contra a qual eles devem lutar, prevenindo-os do erro de ficar trocando acusações mútuas e intermináveis.
O escritor e psicólogo protestante Larry Crabb explica que o principal motor da concupiscência "é o egocentrismo justificado, o egoísmo arraigado que se considera perfeitamente razoável e até aceitável ter, face ao modo como fomos tratados". Faz parte de nosso DNA adâmico. Para exemplificar, o autor conta a história de um amigo que lhe confessou ter cometido adultério, dizendo que "sua mulher não o apoiava nas tensões com que ele tinha de lidar diariamente, a ponto de seu desejo de ser estimado por uma mulher ficar fora de controle". Depois de vários anos aconselhando casais, Larry descobriu que pessoas que traem seus cônjuges geralmente "vêem o seu pecado como se fosse uma 'necessidade' para o bem-estar de sua alma, como se ele fosse algo mais compreensível do que errado".
Sempre que me deparo com algum jovem casal de namorados, luzes vermelhas de alerta se acendem diante de mim. Observando o comportamento que um mantém em relação ao outro, é como se eles dissessem: "Esta pessoa fará todos os meus sonhos virarem realidade"; "Esta pessoa fará de mim a pessoa mais feliz do mundo". Isso faz-me pensar o quanto é importante que as pessoas realmente procurem aconselhar-se com algum bom sacerdote ou alguma pessoa virtuosa de sua confiança, antes de se aventurarem numa empreitada tão séria como é o Matrimônio.
Muitos talvez tenham crescido com significantes necessidades emocionais não correspondidas em suas famílias de origem, e estejam esperando ver esse vazio preenchido por seus futuros cônjuges. Acontece porém que, como escreve C. S. Lewis, nossa espécie foi criada na perfeição do Éden e parao Céu. Portanto, nesta existência decaída, sempre haverá o sentimento de que "algo está faltando", não obstante as inúmeras bênçãos com que sejamos agraciados. Este mundo não é o bastante.
Por causa desses fatores, nosso futuro cônjuge pode acabar se tornando um ídolo. Podemos cair na ilusão de que o outro seja capaz de saciar todas as nossas necessidades não correspondidas. Real e infelizmente, as pessoas fabricam para si deuses muito ruins. Se eu tivesse meia hora com um casal de noivos, eu os encorajaria a trabalharem duro em duas coisas: (1.º) Seja tão feliz o quanto puder independentemente do seu futuro cônjuge. As quatro maiores fontes de felicidade para o homem são a sua fé, a sua família, os seus amigos e o seu trabalho. Maximize, portanto, a sua felicidade pessoal nessas áreas e, então, (2.º) volte-se para o seu companheiro com uma agenda para servi-lo. Seja proativo em identificar quais são as necessidades dele ou dela e viva a Paixão de Cristo no seu relacionamento — isto é, encarne a humildade e o amor sacrificial pelo outro, ainda que você não esteja "a fim".
A Missa é um "tutorial" de como fazer isso: nela, todos os domingos, o sacrifício de Cristo na cruz é representado e renovado por nós. Se as duas partes em um relacionamento imitarem essa entrega, não só estarão começando muito bem o sacramento do Matrimônio, como deixarão uma profunda mensagem contracultural à nossa civilização, tão marcada pelo narcisismo. Como já dito, trata-se apenas de um bom começo, mas, como os pães e os peixes daquele menino do Evangelho, Cristo pode muito bem multiplicá-los, saciar a multidão e ainda fazer restarem doze cestos cheios de sobras — e essas, por sua vez, nós as podemos distribuir a todos os viandantes fatigados e famintos que encontrarmos ao longo do caminho.
Diácono Valney

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cardeal alerta ante possível “conquista islâmica da Europa”

    Cardeal Christoph Schönborn. Foto: ©Mazur via catholicnews.org.uk
Portal Católico.

VIENA – O Arcebispo de Viena (Áustria), Cardeal Christoph Schönborn, alertou sobre uma possível “conquista islâmica da Europa”, no último dia 11 de setembro, enquanto celebrava uma Missa junto a um grupo de fiéis na Catedral local. O Purpurado disse aos presentes que esse dia se celebrava uma vitória decisiva de uma coalizão cristã sobre o Império turco na Batalha de Viena de 1683. “Há exatamente 333 anos Viena se salvou. Haverá agora uma terceira tentativa de uma conquista islâmica da Europa? Muitos muçulmanos pensam nisso e o esperam”, disse o Cardeal. Estes muçulmanos, indicou o Cardeal, “dizem: ‘a Europa está no seu fim’. Mas acredito que o que devemos nos perguntar sobre a Europa é o que Moisés faz nesta leitura de hoje e o que Deus misericordioso faz pelo filho mais novo: Senhor, dá-nos outra oportunidade! Não esqueças que somos o teu povo como Moisés. Eles são teu povo, tu os salvaste, os santificaste, eles são teu povo”.
O Cardeal Schonborn disse também que a Europa “esbanjou e desperdiçou” a sua herança cristã, como o filho pródigo da parábola que Jesus relata nas Escrituras. “O que será da Europa? ”, questionou o Cardeal antes de concluir a sua homilia com uma oração. “Senhor, não nos abandone! Não abandone esta Europa, que gerou tantos Santos. Não nos abandone, porque nos convertemos em mornos com relação à fé. Tem misericórdia do teu povo, tem misericórdia da Europa, que está quase perdendo a sua herança cristã! ”. 
Ao concluir a sua oração, o Cardeal exclamou: “Tem misericórdia de nós e levanta-nos novamente, pela glória do teu nome e como uma bênção para o mundo! Amém”. 
No dia 11 de setembro de 1683, o rei polonês e supremo comandante da armada da coalizão cristã, John Sobieski III, guiou 18 mil homens a cavalo contra os inimigos turcos e conseguiu vencê-los. A vitória da coalizão polonesa, austríaca, bávara e saxã, além de outras tropas, colocando um fim na expansão do Império turco na Europa. Antes da batalha, o rei polonês, católico devoto, confiou seu reino à Virgem Maria, na devoção de Nossa Senhora de Czestochowa, muito querida de São João Paulo II.

Diácono Valney

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Natividade da Virgem Maria: um vídeo sobre o local onde Mamãe nasceu!

Aleteia.

Em 8 de setembro, a Igreja celebra a Natividade de Maria, o nascimento de Nossa Senhora.
A ela dedicamos o compartilhamento deste breve vídeo produzido pela Custódia da Terra Santa, mostrando o lugar onde, segundo a tradição, teria nascido a Santíssima Virgem!
Feliz aniversário, Mamãe!
Veja o vídeo:


Diácono Valney

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Desastres naturais: um castigo divino?

Furacões, terremotos, inundações… Eles acontecem por causa dos pecados humanos? Eles são “obra de Deus”?


Foto: © FILIPPO MONTEFORTE / AFP
Portal Católico.
Milhões de pessoas inocentes sofrem os efeitos de acidentes ou desastres naturais. Não sabemos a razão pela qual Deus permite os desastres naturais, mas Ele não é indiferente ao sofrimento. Sabemos que, no começo, Deus criou a natureza e a abençoou. Quando Adão e Eva pecaram, o mal entrou no mundo e esta desordem também afetou a natureza (criando a possibilidade de que haja desastres naturais). As catástrofes não são “obra de Deus” no sentido de queridas por Ele como tais. Inclusive nestas situações de desastre, o sofrimento de Cristo está unido ao das pessoas, porque Jesus tenta levar todos até Ele.
 Muitas pessoas sofrem quando as catástrofes as atingem, incluindo aquelas que nunca cometeram pecados graves ou tiveram más condutas.
 João Paulo II, em sua carta apostólica “Salvifici doloris”, usa a história bíblica de Jó para ensinar que o sofrimento nem sempre é um castigo. Explica que Jó foi atingido por “inúmeros sofrimentos” e que seus amigos diziam que ele provavelmente tinha feito algo mau para merecer isso. Segundo eles, o sofrimento sempre é o castigo por um crime realizado; é enviado por um Deus absolutamente justo e por motivos de justiça.
 “Este, a seu ver – afirma João Paulo II – , pode ter sentido somente como pena pelo pecado; e portanto, exclusivamente no plano da justiça de Deus, que paga o bem com o bem e o mal com o mal”. Acontece a mesma coisa quando as pessoas dizem que as catástrofes naturais são “obra de Deus”.
 João Paulo II diz que a história de Jó demonstra que esta afirmação é falsa. Escreve: “Se é verdade que o sofrimento tem um sentido como castigo, quando ligado à culpa, já não é verdade que todo o sofrimento seja consequência da culpa e tenha caráter de castigo. A figura do justo Jó é disso prova convincente no Antigo Testamento. A revelação, palavra do próprio Deus, põe o problema do sofrimento do homem inocente com toda a clareza: o sofrimento sem culpa. Jó não foi castigado; não havia razão para lhe ser infligida uma pena, não obstante ter sido submetido a uma duríssima prova”.
 Um exemplo do Novo Testamento: Cristo fala desta situação quando 18 pessoas morreram quando uma torre caiu. Ele disse: “E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não” (Lc 13, 4-5). Aqui, Jesus nos recorda que os que sofrem não são necessariamente mais pecadores que os que não sofrem.
 Quando Deus criou a natureza, tudo era bom. Mas quando o pecado entrou no mundo,  também a natureza se viu afetada. A corrupção da criação perfeita por meio do pecado deu espaço aos desastres naturais.
 Antes da queda de Adão e Eva (e, portanto, de toda a humanidade), existia uma harmonia entre o homem, os animais e a natureza, e o homem tinha a tarefa de cuidar da criação. O primeiro capítulo da Bíblica nos conta: “Deus viu tudo quanto havia feito e achou que era muito bom” (Gn 1, 31).
 Quando Adão e Eva cometeram o pecado original, uma das primeiras consequências foi o rompimento desta harmonia. O Senhor disse ao homem: “Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa. Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e ervas daninhas, e tu comerás das ervas do campo” (Gn 3,17-18). Deus não ordenou a corrupção da criação nesse momento – como indicaram muitos especialistas –, mas se lamentou pela inevitável consequência de corrupção e de morte que o mal traz consigo. O pecado original não só afeta a alma dos homens e das mulheres, mas também traz desordem ao mundo natural.
 O Catecismo ensina que, então, a harmonia com a criação foi rompida; a criação visível se tornou estranha e hostil ao homem. Por causa do homem, a criação é submetida à “servidão da corrupção” (Catecismo da Igreja Católica, 400).
 Devido à Queda, a natureza já não tem uma ordem perfeita. Apesar de haver muito bem na natureza, também ocorrem desastres, como inundações, furacões e tornados. Tais fenômenos não são diretamente uma “obra de Deus”, mas sim o resultado da imperfeição do mundo natural. Tal imperfeição não vem de Deus, mas do mal. É natural e lógico que as pessoas se horrorizem diante das consequências destes desastres naturais, mas não são obras de Deus, senão que têm sua origem no mal.
 Ainda que Deus não tenha mandado o sofrimento que procede das tragédias e dos desastres naturais, em sua providência, Ele nos convida, por meio do nosso sofrimento, a que nos aproximemos dele – do Deus que não poupou seu próprio Filho, permitindo que carregasse todo o peso do mal em sua crucificação.
 A natureza do mundo mudou com a Queda, mas voltou a mudar com a morte de Jesus Cristo na cruz. Quando Cristo morreu por todos nós, deu-nos a possibilidade de uma vida eterna. Como cristãos, reconhecemos que o sofrimento físico é temporal, mas a separação de Deus tem consequências eternas. O Beato João Paulo II escreveu que o “o homem ‘morre’ quando perde a vida eterna”. O contrário da salvação não é o sofrimento temporal, mas o sofrimento definitivo, a perda da vida eterna, ser rejeitados por Deus; é a condenação.
 Ainda que Deus não mande as catástrofes, o Pe. John Flader explica, em um artigo da versão australiana do “Catholic Weekly”, que o sofrimento produzido neste tipo de acontecimentos pode ser uma oportunidade de receber a graça e, dessa maneira, evitar o sofrimento definitivo da separação de Deus. O Pe. Flader escreve: “Deus permite os desastres naturais porque, em sua infinita sabedoria, sabe que pode ajudar  em seu propósito de atrair almas à vida eterna. Apesar do mal, Deus nos dá algo bom. Além disso, sabemos que ‘tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus’ (Rom 8, 28)”.
 “Sem dúvida – afirma o Pe. Flader –, o bem surge de forma ostensível no imenso sofrimento que se produz em um desastre natural. As pessoas percebem quão frágil é a sua vida e quão incerta é sua existência na Terra; sentem a necessidade de se arrepender dos seus pecados e de se dirigir a Deus com uma oração mais confiante.”
 Todos nós já vimos exemplos de pessoas que mudaram para melhor graças à forma como responderam em circunstâncias terríveis: bombeiros que arriscam suas vidas pela dos outros, famílias que deixam de lado suas diferenças e se unem em épocas de crise, pessoas que aprendem a valorizar a oração acima das coisas materiais que perderam no desastre natural… Em meio ao sofrimento do mundo, existe uma grande oportunidade de recorrer a Cristo e esperar uma felicidade eterna com Ele.
 Nossa própria resposta aos desastres naturais deveria ser a de nos aproximarmos mais do nosso Senhor em nossos sofrimentos e reconhecer que somente nele podemos esperar uma felicidade definitiva.
 Muitos lugares, com diferentes níveis de prosperidade, beleza e prestígio, foram arrasados completamente pelas catástrofes naturais ao longo dos anos. Tais acontecimentos destroem a vida de ricos e pobres e, muitas vezes, fazem que as pessoas reflitam sobre suas prioridades de fé, família, amizade.
 João Paulo II ensinou que Cristo elevou o sofrimento humano ao grau da redenção. Quando sofremos, nós nos unimos ao sofrimento de Cristo, quem, sendo inocente, sofreu a morte pela nossa salvação. Deus está presente nos desastres naturais, não como alguém que manda um castigo, mas como Aquele a quem nos dirigimos quando estas coisas acontecem, e o único que pode nos oferecer uma felicidade eterna. Ele sabe que nós sofremos, assim como Jesus sofreu por nós para poder chegar a um mundo no qual, um dia, todas as coisas se farão novas e as catástrofes não mais existirão.
 Diácono Valney

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Novo livro relata 350 conversões clamorosas dos últimos 100 anos

Por que a ovelha recuperada pode trazer mais alegria que as 99 que não se perderam?


Aleteia - De São Paulo a Santo Agostinho, de Santa Maria Madalena a Santa Teresa Benedita da Cruz, de filósofos ateus ao “rei do aborto”, de artistas famosos ao rabino de Roma… A história da humanidade está cheia de exemplos de conversões a Cristo, vividas por pessoas muito diferentes, que trilharam estradas muito diversas, cujas trajetórias se tornaram exemplares para as outras “noventa e nove ovelhas”.
O modelo do convertido é apresentado pelo próprio Jesus Cristo na parábola do filho pródigo. O filho pródigo leva uma vida dissoluta, mas a sua alma se lembra da morada do pai e ele volta, arrependido e envergonhado. Os outros cristãos, muitas vezes, se parecem com o irmão mais velho, que fica com ciúmes pelos elogios que seu pai faz ao filho recuperado (Lc 15,11-32). O irmão também precisava de conversão.
E em Mt 18,10-14, Jesus nos pergunta:
“Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se perde, acaso ele não deixa as noventa e nove restantes na montanha e vai em busca da que se extraviou? E, quando a encontra, eu vos afirmo que se alegrará mais por ela do que pelas noventa e nove que não se extraviaram”.
Demos uma breve olhada na longa lista de grandes conversos dos últimos cem anos: o influente pensador Chesterton, o pastor Newman, os escritores Vittorio Messori, Maria Nágera e Svetlana Stalin, filha de Joseph Stalin… Atores como Sylvester Stallone, Gary Cooper, Fabio McNamara, Eduardo Verástegui… Filósofos como C. S. Lewis, Manuel García Morente, André Frossard… O prêmio Nobel Alexis Carrel, o “ex-rei do aborto” Bernard Nathanson, o Grande Rabino de Roma Eugenio Zolli… E os que se convertem no final da vida, como os escritores Jorge Luis Borges e Oscar Wilde, o criminoso executado (e arrependido) Jacques Fesch…
O escritor Jacinto Ferrer publicou recentemente o livro “Conversos modernos a micrófono abierto” (ainda sem tradução ao português), no qual passa a palavra a 350 pessoas das mais inverossímeis procedências e que se converteram a Cristo.
São muitas as conversões que a Igreja testemunha a cada ano. Muitos batizados de adultos são verdadeiras conversões em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, por exemplo, de 40.000 a 80.000 adultos são batizados na Igreja católica por ano. Também naquele país, é frequente que filhos de ateus se tornem cristãos.
É compreensível que só cheguem até os nossos ouvidos os casos dos “famosos”. Evidentemente, cada conversão tem valor incalculável, mas as das pessoas publicamente conhecidas têm maior impacto social. Em muitos casos, trata-se de pessoas que sofrem grande pressão do ambiente em que vivem, o que pode ser um fator de “freio” para a sua conversão: para muitos deles, converter-se implica enfrentar todo um círculo social e profissional e sofrer enormes mudanças em sua vida e em seus relacionamentos.
Por que essas pessoas convertidas parecem mostrar maior fortaleza em sua defesa e exposição da fé?
Certamente, pessoas como Maria Madalena, aquela que “muito amou porque muito lhe foi perdoado” (Lc 7,47), sabem valorizar melhor o amor de Deus que descobriram, já que lhes custou muito encontrá-lo. As “outras noventa e nove” o tiveram desde sempre – e é alto o risco de que a facilidade e o costume as levem à rotina, a não valorizar suficientemente o imenso presente com que já contam. Este foi o caso do irmão mais velho do filho pródigo.
“As outras noventa e nove” precisam de “pequenas” conversões diárias, que podem não ser tão “pequenas” assim. A reforma pessoal permanente é outra forma grandiosa e impactante de heroísmo.

Diácono Valney

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Bento XVI tinha razão sobre os muçulmanos.



Aleteia - Na noite de 12 de setembro de 2006, minha esposa e eu estávamos jantando em Cracóvia com amigos poloneses quando um agitado vaticanista italiano (me perdoem pela redundância nos adjetivos) me ligou querendo saber o que eu achava "do louco discurso do papa sobre os muçulmanos". Aquele foi, para mim, o primeiro indício de que o rebanho da imprensa mundial estava prestes a bombardear o que Bento XVI tinha dito em Regensburg; uma suposta “gafe” que os meios de comunicação continuariam a trazer à tona o tempo todo, até o final daquele pontificado.
Oito anos depois, a palestra de Regensburg (Ratisbona) desperta reações bem diferentes. Aliás, quem de fato a leu em 2006 entendeu que, longe de cometer uma “gafe”, Bento XVI explorou com precisão acadêmica duas questões fundamentais, cujas respostas influenciariam profundamente a guerra civil que corroi as entranhas do islã: uma guerra cujo resultado determinará se o islã do século XXI é seguro para os seus próprios adeptos e seguro para o mundo.

A primeira questão era a liberdadereligiosa: será que os muçulmanos conseguiriam encontrar, dentro dos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a tolerância religiosa (incluindo a tolerância para com quem se converte do islã a outras religiões)? O processo desejável, sugeriu o pontífice, deveria levar, ao longo do tempo (séculos, no caso), a uma teoria islâmica mais completa sobre a liberdade religiosa.
A segunda questão era a estruturação das sociedades islâmicas: será que os muçulmanos poderiam encontrar, também com base nos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a distinção entre autoridade religiosa e autoridade política dentro de um Estado justo? O desenvolvimento igualmente desejável desse processo ​​poderia tornar as sociedades muçulmanas mais humanas em si mesmas e menos perigosas para os seus vizinhos, especialmente se vinculado a uma emergente experiência islâmica de tolerância religiosa.
O papa Bento XVI chegou a sugerir que o diálogo inter-religioso entre católicos e muçulmanos se concentrasse nessas duas questões interligadas. A Igreja católica, admitiu livremente o papa, tinha as suas próprias batalhas no tocante à liberdade religiosa em uma comunidade política constitucionalmente regulada, na qual a Igreja desempenhava um papel fundamental dentro da sociedade civil, mas não diretamente no governo. Mas o catolicismo tinha conseguido resultados interessantes: não capitulando diante da filosofia política laicista, e sim usando o que tinha aprendido da modernidade política para voltar à sua própria tradição, redescobrindo elementos do seu pensamento sobre a fé, a religião e a sociedade que tinham se perdido ao longo do tempo e desenvolvendo a sua doutrina sobre a sociedade justa do futuro.
Será que tal processo de recuperação e desenvolvimento é possível no islã? Esta foi a grande pergunta feita por Bento XVI na palestra de Regensburg.
É uma tragédia de proporções históricas que esta questão tenha sido, primeiro, mal interpretada, e, depois, ignorada. Os resultados desse mal-entendido e desse descaso (e de muitos outros mal-entendidos e muitas outras ignorâncias) estão agora sendo expostos de modo macabro no Oriente Médio: dizimação de antiquíssimas comunidades cristãs; barbaridades que chocaram o aparentemente inchocável Ocidente, como a crucificação e a decapitação de cristãos; países cambaleantes; esperanças despedaçadas de que o Oriente Médio do século XXI possa se recuperar das suas várias doenças culturais e políticas e encontrar um caminho para um futuro mais humano.
Bento XVI, tenho certeza, não sente prazer algum ao ver a história vingar o seu discurso de Regensburg. Mas os seus críticos de 2006 poderiam examinar em sua consciência o opróbrio que despejaram sobre ele há oito anos. Admitir que eles entenderam tudo errado em 2006 seria um bom primeiro passo para abordarem a própria ignorância sobre a guerra civil intra-islâmica que ameaça gravemente a paz do mundo no século XXI.

Quanto ao diálogo proposto por Bento XVI sobre o futuro do islã, ele agora parece bastante improvável. Mas, caso aconteça, os líderes cristãos devem listar sem rodeios as patologias do islamismo e do jihadismo; devem deixar de lado as desculpas não históricas pelo colonialismo do século XX (que imita desajeitadamente o que há de pior nos chavões acadêmicos ocidentais sobre o mundo islâmico árabe); e devem declarar publicamente que, diante de fanáticos sanguinários, como são os responsáveis ​​pelo reinado de terror que está assolando o Iraque e a Síria neste momento, o uso da força das armas, prudente e bem direcionado por aqueles que têm a vontade e os meios para defender os inocentes, é moralmente justificado.

Diácono Valney

sábado, 2 de julho de 2016

Médica abandona prática de abortos após ver ultrassonografia de seu bebê.



 
ACi Digital
WASHINGTON DC - Yvonne Frank Moore é uma obstetra e ginecologista que abandonou a prática do aborto depois de ver a ultrassonografia do seu próprio bebê.
Sua história foi apresentada na página pró-vida dirigida a adolescentes Teenbreaks. Em seu breve e intenso testemunho, a doutora Moore descreve como começou a realizar abortos quando era residente na Universidade de Tennessee.
“Foram motivos econômicos que tiveram um papel decisivo para me converter em abortista. Tornou-se em uma tradição muito lucrativa o fato de ter mais de um emprego nas três clínicas de aborto locais”, disse.
Moore explicou que os abortistas podem ganhar muito dinheiro sem sair da cidade ou trabalhando durante a noite nas salas de emergência de hospitais. “Como a prática de abortos era tão lucrativa, nesse naquela época não entendia porque alguns residentes se negaram realizá-la”, afirmou Moore.
Começou praticando abortos em período parcial, logo passou a uma prática de período integral. Ao tornar-se médico residente sênior, ficou responsável por um dos centros de aborto. Também desempenhou funções de liderança e formação em seminários, convertendo-se em defensora do aborto. Mas, tudo mudou depois que ela ficou grávida.
“Foi assim até quando eu fiquei grávida e realmente comecei a examinar meus sentimentos acerca dos aspectos morais do aborto. Demorei mais de um ano para ficar grávida da minha filha. A primeira vez que vi o pequeno lampejo dos batimentos do seu coração na tela da ultrassonografia, fiquei completamente apaixonada por ela”, manifestou.
“Finalmente, cheguei a conclusão de que a única coisa que fez com que a minha filha fosse diferente dos outros bebês que assassinei foi o fato de que a desejava. Era como se tivesse tirado uma venda dos meus olhos e pudesse perceber o que antes não conseguia ver em tantos anos por ter acabado com novas vidas”.
A Dra. Moore compara sua conversão a de Saulo de Tarso, quando estava a caminho de Damasco, para converter-se em São Paulo, porque ele trabalhou incansavelmente na difusão do Evangelho depois de ter passado muitos anos perseguindo os cristãos.
Ela realizou aproximadamente 180 abortos e agora abraça a causa contra a qual lutou uma vez.
Atualmente esta médica é responsável pela formação de voluntários em um centro de recursos para a gestação, compartilhando seus conhecimentos médicos a fim de ajudar as mulheres a mudarem a mentalidade a respeito do aborto.
Diácono Valney